Um dos advogados que defende os 17 ativistas angolanos acusados de prepararem uma rebelião denunciou que foi impedido, nesta sexta-feira, de consultar o processo "por ordens superiores", apesar do início do julgamento estar marcado para segunda-feira, em Luanda.

"Estou agora a sair do cartório do tribunal e disseram-me que têm ordens superiores para não entregarem o processo aos advogados. Eu acho que eles estão é à espera que seja a defesa a pedir o adiamento do julgamento por esse motivo, mas nós já dissemos que não o vamos fazer, vamos denunciar isso na audiência", disse à Lusa o advogado David Mendes.

Em causa está um processo, que  terá "mais de 1.500 páginas", escutas e vídeos, em que 15 dos 17 arguidos estão em prisão preventiva, desde junho, mas com a defesa limitada ao despacho de pronúncia do Tribunal Provincial de Luanda.

"Não vamos tomar a iniciativa de pedir o adiamento porque é isso que eles estão à espera. Mas isto é um absurdo, há julgamento na segunda-feira e os advogados não têm acesso ao processo", lamentou David Mendes, um dos quatro advogados e também dirigente da associação "Mãos Livres", de defesa dos direitos humanos e formada por juristas angolanos.