Luaty Beirão está "malaike", maluco, com a exoneração de Isabel dos Santos. O novo presidente de Angola, João Lourenço, exonerou, na quarta-feira, a empresária e filha do ex-chefe de Estado José Eduardo dos Santos do cargo de presidente do conselho de administração da Sonangol, rebentando, nas palavras do ativista luso-angolano, "o ninho de marimbondos", ou seja, o ninho de vespas. 

Este foi o primeiro de alguns tweets publicados no dia de ontem, todos dirigidos à família de Eduardo dos Santos, em particular a Isabel, com a qual travou algumas guerras de palavras no Twitter.

"Hey, irmã com uma grande mente, como te sentes por teres sido despedida? É melhor começares a habituares-te", escreveu Luaty Beirão, em tom irónico, referindo-se a uma publicação de Isabel dos Santos sobre grandes mentes, mentes médias e mentes pequenas, na qual se dirigia ao rapper

As celebrações prosseguiram desta feita com uma imagem de Luaty com a filha.

"JLo" é João Lourenço, que não só exonerou Isabel dos Santos da Sonagol como afastou os também irmãos José Paulino dos Santos e Tchizé dos Santos da televisão pública de Angola (TPA), através do cancelamento de contratos com a Semba Comunicações de que ambos são sócios.

Neste tweet, alegadamente, o ativista partilhou várias mensagens que Tchizé dos Santos terá enviado num grupo privado de WhatsApp, nas quais critica o presidente pela perseguição e achincalhamento público, lembrando João Lourenço que "a TPA é a mais internacional empresa de Angola" devido ao seu esforço.

Por último ficam novas palavras de satisfação dirigidas a João Lourenço, mas também um aviso.

Aviso que repetiu em entrevista à rádio TSF, onde falou novamente no "ninho de vespas" e confessa que não esperava tantas mudanças em tão pouco tempo.

No início do mês, em declarações à agência Lusa, em Luanda, Luaty Beirão, um dos rostos mais mediáticos da contestação à liderança de 38 anos de José Eduardo dos Santos, que levou à sua prisão, em 2015, juntamente com outros 14 ativistas, admitiu que se vê "um pouco mais de liberdade" em Angola desde que João Lourenço foi eleito presidente.

São dias ainda de alguma expectativa, alguma ansiedade. Estamos todos ainda a fazer uma leitura (…) Acho que, felizmente, há coisas muito interessantes a acontecerem, mas acho também que não devemos estar a empolar ou superexcitados, porque o que está a acontecer tinha de acontecer. E felizmente algumas estão a ser feitas, mas vamos com calma porque quando a poeira assentar podemos ver que o que sobra não é assim tão atrativo”, alertou.