A BBC não vai renovar contrato com Jeremy Clarkson, o apresentador suspenso do programa «Top Gear». A decisão foi anunciada esta quarta-feira pela cadeia de televisão britânica. Em causa está a agressão a um produtor no início do mês de março.

Num comunicado, Tony Hall, o diretor geral da estação de televisão, garante que a decisão foi muito ponderada.

«Não posso aceitar o que aconteceu. Para mim, passou-se uma linha. Precisamos de vozes distintas e diferentes, mas não a qualquer preço. Tem de haver regras de decência e respeito na BBC».


O diretor geral da BBC frisou, no entanto, que a decisão tomada não anula o «extraordinário contributo» de Jeremy Clarkson para a estação televisiva.

Hall garantiu ainda que a carreira do apresentador não termina por aqui: «Ele está a deixar a BBC, mas tenho a certeza que continuará a entreter, a desafiar e a divertir audiências por muitos anos».

Jeremy Clarkson foi suspenso no dia 10 de março depois de uma agressão a um produtor no decorrer das gravações de «Top Gear». A emissão do programa também foi suspensa.

Com este desfecho, o programa de automóveis terá de ser renovado em 2016. Desconhece-se se os outros dois apresentadores, James May e Richard Hammond, vão continuar a conduzir o programa.

«Top Gear» era uma das âncoras da televisão britânica e a suspensão do programa terá levado a uma quebra de audiências na ordem dos quatro milhões de telespectadores.

Esta não foi a primeira vez que Jeremy Clarkson se viu envolvido em polémicas. O próprio admitiu que em 2014 a BBC lhe fez um «aviso final», depois de ter sido acusado de racismo durante as filmagens de um episódio do programa. 

No passado dia 20 de março foi entregue na sede da BBC, em Londres, um abaixo-assinado a exigir o regresso do apresentador. O mentor da iniciativa utilizou um tanque de guerra com o objetivo de transmitir uma «mensagem forte». Um episódio insólito que não teve o efeito desejado.