Hillary Clinton tem um novo livro. Chama-se "What Happened” (“O que aconteceu”) e é o seu testemunho da campanha presidencial de 2016, que acabou por perder para Donald Trump. Neste livro, a candidata democrata confessa que o facto do candidato republicano a ter “perseguido” num palco, durante um debate, lhe deu “pele de galinha”. E, às vezes, questiona-se se lhe devia ter dito "afasta-te, depravado".

O debate em causa aconteceu a 9 de outubro, em St. Louis, e Donald Trump seguiu Hillary Clinton ao longo do palco, escreve a Reuters. Ficando ligeiramente atrás, mas demasiado próximo, enquanto ela respondia às questões colocadas, ao vivo, pelas pessoas na plateia. Isto foi dois dias depois da revelação da gravação em que o atual presidente norte-americano se gabava de “agarrar” mulheres.

“’Isto não está certo’, pensei”, conta Hillary Clinton.

Era o segundo debate presidencial e Donald Trump estava a espreitar atrás de mim. Estávamos num palco pequeno e, fosse para onde fosse, ele seguia-me de perto, a olhar para mim e a fazer caras. Foi extremamente desconfortável. Ele estava literalmente a respirar no meu pescoço. Deu-me pele de galinha.”

Quase em jeito de confissão admite:

Foi um daqueles momentos em que gostava de ter ‘feito pausa’ para perguntar a todos os que estavam a ver o que fariam? Ficariam calmos e sorridentes, agindo como se ele não estivesse a invadir o vosso espaço? Ou voltavam-se para trás, olhavam-no nos olhos e diziam em alto e bom som ‘afasta-te, depravado. Sai de ao pé de mim. Sei que gostas de intimidar mulheres, mas a mim não me intimidas’.”

Acabou por escolher a primeira opção, mas ainda hoje se questiona se devia ter optado pela segunda. “Teria tido um bom momento de televisão”, admite. “Aprendi bem demais a lição de me mostrar calma (…) e mostrar uma cara composta ao mundo”, confessa.

Alguns excertos áudio do livro foram revelados, esta quarta-feira, pelo canal de televisão MSNBC. Segundo a candidata derrotada, na corrida à Casa Branca, a sua campanha foi “alegre, humilde, enfurecedora e, ao mesmo tempo, desconcertante”. Assume ainda que falhou, perante os milhões de pessoas que a apoiavam apoiantes, ao perder em novembro para Trump, e que escrever o livro não foi uma decisão fácil.