O racismo, a discriminação e a homofobia são uma realidade também cada vez mais virtual, onde é fácil dizer-se o que realmente se pensa, sem filtros e sem pudor, atrás de perfis falsos, da barreira de um ecrã ou de um teclado de um computador. Um vídeo com uma espécie de apanhados feito pelo Centro Lituano dos Direitos Humanos mostra como o racismo pode doer muito mais quando se dá viva voz a palavras escritas num mundo virtual.
 
No vídeo, aparecem várias pessoas que pensam terem ido a uma audição para um anúncio de televisão. São convidados a aguardar numa sala onde já está um ator negro. Enquanto isso, são filmados sem o saberem.  
 
O ator negro, de voz e jeito dóceis, pede, em inglês, que lhe traduzam os comentários que recebeu na sua página do Facebook, alegando que se mudou há pouco tempo para a Lituânia e ainda desconhece a língua.
 
Os semblantes dos «apanhados» mudam quando veem o texto a ser traduzido. Visivelmente não sabem como reproduzir, em inglês e em voz alta, o que está escrito na cronologia do homem. Palavras como «macaco», «escravo» e «volta para África» são alguns dos comentários que alguns não se atrevem a traduzir, por os considerarem «demasiado humilhantes».



A maioria, comove-se perante o ar dócil do homem e pede-lhe desculpa por algo que não escreveu, mas acabou por reproduzir.
 
O vídeo faz parte de uma campanha que pretende alertar para os abusos online e para a discriminação praticada nas redes sociais.