Os opositores venezuelanos Leopoldo López e Antonio Ladezma, que se encontravam em regime de prisão domiciliária, foram levados para parte incerta pelos serviços de informações do regime, disseram hoje fontes próximas dos dois detidos. Isto acontece dois dias depois das eleições para a Assembleia Constituinte no domingo, um escrutínio marcado por violência, repressão policial, mais de uma dezena de mortes e alegada fraude eleitoral. 

Acabam de levar Leopoldo de casa. Não sabemos onde está, nem para onde o levaram. (Nicolas) Maduro é o responsável se alguma coisa lhe acontecer”

O testemunho é de Lilian Tintori, mulher de Lopez, que denunciou a situação na rede social Twitter.

Também o deputado Ricardo Blanco, coordenador do partido Alianza Bravo Pueblo (ABP) difundiu através do Twitter que o Serviço Bolivariano de Inteligência (Sebin) “levou o Ladezma” durante a madrugada.

O Ministério Público do país ordenou uma investigação à eleição. A procuradora-geral não reconhece os resultados do sufrágio de ontem e considera "imoral" o organismo que o presidente da Nicolás Maduro quis eleger.

A oposição voltou ontem às ruas dizendo que Maduro nunca terá a obediência dos populares e denunciando que a polícia dispara contra tudo o que vê. O presidente reclamou vitória nas eleições para a Assembleia Constituinte, alegando que mais de oito milhões votaram.

A União Europeia pode também não reconhecer os resultados eleitorais. Portugal revê-se nas "dúvidas" de Bruxelas. Hoje, de Espanha, a vice-presidente do Partido Popular, Andrea Levy, disse que a UE deve seguir a mesma posição dos Estados Unidos e decretar sanções contra o governo venezuelano de Nicolás Maduro. As “eleições fraudulentas” de domingo “estão a exterminar” a oposição no país, considerou.

Donald Trump ordenou ontem sanções sem precedentes contra Maduro. Entre elas, o congelamento dos bens do presidente venezuelano nos Estados Unidos e a sua classificação como "ditador". Maduro já reagiu, dizendo que isso só mostra o "desespero e ódio" de Trump.