Uma das 15 ambulâncias destinadas ao combate ao ébola em Monrovia é chamada para ir buscar um cadáver. Quando chegam ao local, veem o corpo de um homem deitado no meio da rua e uma multidão enfurecida à volta.

«Por favor, mantenham-se afastados dos cadáveres», avisam os profissionais de saúde.

A equipa veste os fatos de proteção enquanto ouve as queixas pelo tempo que demorou a assistência. «Dizem que o corpo está ali há muito tempo. É por isso que estão zangados», conta o protagonista da reportagem do «The New York Times».

O cadáver é recolhido, colocado num saco de plástico e transportado numa carrinha de caixa aberta. «A cidade está cheia de cadáveres. Não podemos fazer nada», continua. 

Ébola: população da Serra Leoa desespera com cadáveres pela rua 

Monrovia tem cerca de 1,5 milhões de habitantes e apenas 15 ambulâncias destinadas a combater a epidemia.

Gordon, o técnico da ambulância, não vê a família há cinco meses. Não os quer perto para que não sejam contagiados. «Qualquer pequeno erro que cometas, ficas com o vírus», garante.

A ambulância é depois chamada para recolher uma rapariga de 17 anos em estado muito crítico, mas os centros de tratamento estão todos cheios. Por isso, tem de levá-la de volta a casa.

«Tentamos, mas não podemos fazer mais do que estamos a fazer», lamenta Gordon. A rapariga morreu no dia seguinte.

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