Um país diferente e mais justo é a esperança que os ucranianos depositam no futuro. Do lado de fora, a expetativa em relação ao rumo que a nação de leste vai adotar também capta as atenções da Europa e dos Estados Unidos. Mas como se explica a importância dos desígnios de um país que sempre esteve mais próximo da Rússia do que do Ocidente? A resposta reside na pergunta. Saber se no futuro teremos uma Ucrânia mais europeia e menos russa pode modificar os contornos das relações diplomáticas, comerciais e económicas num contexto global.

Os desafios que o país de Petro Poroshenko tem pela frente são inéditos. Os protestos de Maidan deram início à revolução que tantos ucranianos aguardavam, contra a corrupção do governo, o abuso de poder e a violação de direitos humanos. O movimento, que começou por ser estudantil, mas que se generalizou aos restantes setores da sociedade, ficou conhecido como Euromaidan por exigir uma maior integração na Europa.

É certo que o governo pró-russo de Viktor Ianukovich caiu, mas a revolução parece longe de ter terminado.
No leste do país, a histórica relação com os russos gerou uma forte instabilidade que culminou na anexação da Crimeia pelo país de Vladimir Putin e no conflito que fez mais de três mil mortos.
 
Se a mudança ucraniana não agradou aos ucranianos pró-russos, que durante meses lutaram pela separação das regiões do leste, muito menos terá tido a benção de Putin que viu o afastamento de um dos seus maiores aliados. As trocas de acusações entre os dois países foram uma constante durante o conflito.
 
Esta degradação dos laços com a Rússia acabou por favorecer o estreitamento da relação com a União Europeia e os Estados Unidos. Poroshenko anunciou inclusive um plano de reformas para que a Ucrânia possa estar pronta para aderir à UE em 2020.

«Esta estratégia contempla 60 reformas e programas especiais que vão preparar a Ucrânia no sentido de se poder candidatar à integração na União Europeia, dentro de seis anos», afirmou.

Agora, para pôr em marcha este plano, Poroshenko precisa de um parlamento coeso que não comprometa os objetivos do seu governo.

Existem, no entanto, alguns entraves à aplicação do plano desenhado por Poroshenko.

O primeiro é o facto de a Ucrânia ainda estar muito dependente da Rússia, sobretudo ao nível energético. O afastamento dos ucranianos em relação aos russos coloca em risco o fornecimento do gás a preços justos, algo que é crucial para o aquecimento do país no Inverno. 

Depois, sabe-se que na UE nem todos querem ver redesenhados os limites das União. Se a Polónia, os países bálticos e a Suécia já demonstraram o desejo de dar a Kiev a oportunidade de integração, potências como a Alemanha, França e Espanha não terão muito interesse em que isso aconteça. 

Por um lado, devido ao contexto de crise económica e, por outro lado, porque a possibilidade de uma retaliação russa não pode ser descartada. Importa aqui referir alguns dados a ter conta: 30% do gás importado pela Europa vem da Rússia e deste, mais de metade passa pela Ucrânia. Além da privação em si, um corte ou encarecimento dos preços terá, naturalmente, consequências nos mercados.

No meio disto, claro que há que considerar a posição dos Estados Unidos. Devido à sua localização geográfica, do ponto de vista estratégico e militar a Ucrânia pode ser um ponto crucial. Com uma aproximação à Europa e uma relação mais azedo do que nunca com a Rússia, os especialistas defendem que, tirar partido disso caso seja necessário, poderá ser mais fácil.

A campanha eleitoral ucraniana trouxe para a rua os rostos que se deram desde os protestos de Maidan à eleição de Poroshenko, em maio. São jornalistas, ativistas, membros de ONG’s que querem completar um ciclo de mudança.

Por tudo isto, o mundo vai estar de olhos postos nas legislativas deste domingo. Com a constituição de um novo parlamento, poderá ser desvendada a primeira pista sobre o futuro da Ucrânia.

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