Leo Varadkar foi confirmado esta quarta-feira como novo primeiro-ministro da Irlanda, através de uma eleição por voto parlamentar. Filho de 38 anos de um imigrante indiano, Varadkar torna-se o primeiro homossexual assumido e a pessoa mais jovem a ocupar o cargo no país, que tem forte tradição católica.

Varadkar, que já tinha sido escolhido para ser líder do partido do governo Fine Gael, no lugar de Enda Kenny, oficializou a vitória no Parlamento irlandês, com 57 votos a favor, 50 contra e 45 abstenções, noticia o jornal britânico Independent.

Fui eleito para liderar, mas prometo servir", afirmou Leo Varadkar no discurso de vitória após a eleição.

Varadkar sucede a Enda Kenny, que se tornou primeiro-ministro pelo partido conservador de centro-direita Fine Gael em 2011, apenas um ano depois da liberalização dos casamentos entre pessoas do mesmo sexo, no primeiro país do mundo a modificar a lei através da realização de um referendo.

Como o mais jovem ocupante do cargo, ele [Varadkar] representa a nova geração de mulheres e homens irlandeses. Ele representa uma Irlanda moderna, diversa e inclusiva”, afirmou Enda Kenny depois de entregar a pasta ao sucessor.
 

Filho de uma irlandesa e de um indiano, que emigrou para o Reino Unido ainda nos anos 1960, Leo Varadkar começou a fazer história em 2015, quando reconheceu publicamente ser homossexual. Foi o primeiro político a fazê-lo na história da Irlanda.

Isso não é algo que me defina. Eu não sou um político indiano ou um político médico, ou um político gay. É apenas parte de quem eu sou, do meu caráter, mas não me define”, disse Varadkar na altura em que se assumiu.

Médico de profissão, Leo Varadkar nasceu em 1979 e foi educado numa escola privada nos subúrbios endinheirados de Dublin. Quando terminou os estudos na Universidade, tendo já sido presidente da ala jovem do Fine Gael que agora dirige, foi estagiário no Senado dos Estados Unidos da América e voltou revoltado com os preços.

 “É tudo caro como o c****** aqui”, escreveu na altura no seu blog.

Nos EUA, Leo Varadkar mostrou-se muito entusiasmado com o dinamismo da política, ao contrário do que se passava na Irlanda.

“A política na Irlanda é dominada por um monte de velhadas, muitos deles perderam a sua paixão e a sua crença na política há muitos anos”, escreveu também na altura, recorda a revista britânica New Statesman.