O Estado italiano pôs à venda a ilha de Poveglia, em Veneza, que tem fama de ser um local assombrado. Para evitar que o local se torne mais um pólo de especulação imobiliária para fins turísticos, como tem acontecido na região, um grupo de cidadãos criou um movimento que pretende entrar no leilão e garantir o uso público da ilha.

Poveglia tem sete hectares, está desabitada e tem uma longa história. Foi palco de fuga da população aquando das invasões bárbaras, de disputa por venezianos e genoveses no séc. XIV e, no séc. XVIII, transformada em local de quarentena para os barcos que chegavam a Veneza. Descobertos casos de peste, tornou-se asilo para pessoas com doenças infeciosas, começando aí a sua má fama e as histórias de fantasmas de mortos que voltavam para assombrar a ilha.

No início do séc. XX foi transformada num hospital para idosos, acrescentando à lenda histórias de experiências cruéis em doentes mentais. A fama de local assombrado foi potenciada por reportagens de programas como o «Ghost Adventures», do Travel Channel, ou «Scariest Places on Earth», da Fox. Chegaram a chamar-lhe a «ilha mais assombrada do mundo».

Para Poveglia, o Estado italiano procura alguém que adquira os direitos de exploração da ilha durante 99 anos.

Um grupo de habitantes de Veneza decidiu fazer algo e criou a associação «Poveglia per Tutti», procurando reunir dinheiro para manter a ilha no domínio público. Para já tem quatro mil seguidores no Facebook.

Ao todo são 45 os bens propriedade do Estado italiano que serão colocados em hasta pública até ao final do ano. Os primeiros cinco, que poderão ser licitados até 6 de maio, incluem Poveglia, mas também o castelo de Gradisca, uma antiga fortificação militar em Trieste, o antigo convento Monteoliveto de Taranto e uma casa senhorial em Loreto.