O ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Serguei Lavrov, comunicou esta quinta-feira por telefone ao secretário de Estado norte-americano, John Kerry, que Moscovo não alterará a sua posição sobre a Síria.

«As conclusões dos especialistas em todos os casos de possível uso de armas químicas na Síria devem ser obrigatoriamente remetidas para análise do Conselho de Segurança da ONU, para a adoção de uma decisão», disse Lavrov, segundo um comunicado do Governo russo.

Lavrov, que insistiu que Moscovo mantém inalterada a posição acordada na cimeira do G8 realizada em junho passado na Irlanda, advertiu de que a Rússia «rejeita o uso da força à margem do referido mecanismo».

De acordo com a nota oficial, John Kerry insistiu nos argumentos que, segundo a Casa Branca, justificam um «ataque limitado» contra a Síria, em retaliação pelo presumível uso de armas químicas por parte do regime do Presidente Bachar Al-Assad.

O Presidente russo, Vladimir Putin, acusou na quarta-feira John Kerry de mentir abertamente perante o Congresso norte-americano, ao afirmar que a Al-Qaeda não está presente naquele país árabe.

«[Na Síria atua agora] a célula mais importante e ativa do grupo conhecido como Al-Nursa, uma unidade da Al-Qaeda. E eles sabem-no. Mas [Kerry] mente abertamente, sabendo que está mentindo. Isso é triste», observou Putin.

O líder do Kremlin propôs hoje aos líderes do G20 que abordem durante o jantar informal desta noite a situação na Síria, assunto que não estava na agenda da cimeira que decorre em São Petersburgo.

A Rússia e a China opõem-se categoricamente a uma ação militar contra a Síria que não conte com o beneplácito do Conselho de Segurança da ONU e consideram que o Congresso norte-americano não tem poder para autorizar um ataque contra Damasco.

O secretário-geral da NATO, Anders Fogh Rasmussen, disse hoje que lamentava «profundamente as divisões no seio da comunidade internacional» a propósito da reação a ter relativamente à utilização de armas químicas na Síria.

«Penso que é tempo de ultrapassar estas divisões, porque enviam uma mensagem muito perigosa aos ditadores, que podem pensar poder utilizar as armas químicas, e talvez outras armas de destruição massiva, sem qualquer reação da comunidade internacional», acrescentou, em declarações à agência noticiosa AFP, feitas à margem de uma reunião de ministros da Defesa da União Europeia, para a qual foi convidado.

«É necessária uma resposta internacional firme», acrescentou o chefe da NATO, que entende que «não há qualquer dúvida» quanto ao facto de «o regime sírio ser o responsável pelo ataque químico» de 21 de agosto passado.