O publicitário André Gustavo, que fez a campanha de Passos Coelho nas eleições legislativas de 2011 e 2015, foi detido esta quinta-feira, no Brasil, no âmbito da operação Lava-Jato.

Por decisão do  juiz Sergio Moro, titular do processo, terã sido emitidos quatro mandados de detenção, a pedido do Minsitério Público, um dos quais levou à detenção do ex-presidente do Banco do Brasil e da Petrobras, Aldemir Bendine, que já estava a ser identificado.

Aldemir Bendine foi detido pela polícia federal brasileira em Sorocaba, no interior de São Paulo. Segundo o site G1, da Rede Globo, há suspeitas de que terá recebido três milhões de Reais - mais de 800 mil euros - de subornos da construtora Odebrecht, quando era presidente da petrolífera Petrobras.

No Recife, estado de Pernambuco, a polícia deteve os irmãos António Carlos Vieira da Silva Junior e André Gustavo Vieira da Silva, sócios numa empresa de publicidade, igualmente no âmbito da que é classificada pela imprensa brasileira como a 42.ª fase da Operação Lava Jato, que investiga esquemas de corrupção ao nível do poder politico e económico no Brasil.

Inquérito desde junho

Aldemir Bendine e o publicitário André Gustavo foram citados em delações feitas no processo. Em junho, a pedido do Ministério Público Federal, o juiz Sergio Moro autorizou a abertura de um inquérito para que Bendine fosse investigado pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro.

Segundo refere o site da Globo, Marcelo Odebrecht, um dos patrões da construtora, revelou que teriam sido pagos a Ademir Bendine três milhões de Reais, quando presidida à Petrobras. Teria recebido três remessas de dinheiro que, de acordo com as investigações, cujo intermediário foi o publicitário André Gustavo.

Viagem para Lisboa

Segundo a imprensa brasileira, a justiça terá acionado os mandados de detenção após ter conhecimento que Aldemir Bendine e André Gustavo tinham viagens marcadas para Lisboa. O publicitário terá sido detido, segundo o site G1 da Globo, quando já estava no portão de embarque do aeroporto do Recife, em viagem para Portugal.

No despacho, que decretou a prisão Aldemir de Bendine, o juiz Sergio Moro refere a possibilidade de fuga por parte do ex-presidente da Petrobras e do Banco do Brasil, que também tinha uma viagem marcada para Lisboa.

Posteriormente, na tarde de quinta-feira, o advogado de Aldemir Bendine, que foi presidente do Banco do Brasil durante quase seis anos no governo de Dilma Rousseff. veio reveler que o arguido tinha também comprado uma viagem de regress ao Brasil.