O encontro histórico entre os presidentes da Coreia do Norte e dos EUA, que se realizou esta terça-feira na ilha de Sentosa, em Singapura, fez chorar de felicidade o antigo jogador da NBA Dennis Rodman.

Numa entrevista emocionada ao programa Cuomo Prime Time, na CNN, Rodman, que é um dos poucos ocidentais que visita regularmente Pyongyang, não escondeu a emoção causada pelo encontro histórico entre Donald Trump e Kim Jong-un.

É um ótimo dia. Estou aqui para o presenciar. Estou muito feliz", disse o antigo basquetebolista, a partir de Singapura.

 

Amigo de Donald Trump e de Kim Jong-un, o antigo basquetebolista esteve em Singapura durante a cimeira histórica.

Eu sabia que as coisas iam mudar, era o único que acreditava. Mas nunca ninguém me ouviu", afirmou, enquanto limpava as lágrimas que caiam atrás de um par de óculos escuros.

Usando um boné com a inscrição "Make America Great Again" (“Torne a América Grande Outra Vez”), Rodman explicou que, após várias viagens à Coreia do Norte, tentou fazer com que o então presidente Barack Obama ouvisse as mensagens que Kim Jong-un lhe pediu para transmitir.

Eu tentei fazer isso com Obama, mas Obama não me deu ouvidos. Eu disse-lhe: ‘Tenho algo a dizer da Coreia do Norte’, e ele simplesmente ignorou-me”, afirmou Rodman. “Mas eu insisti. Eu disse a todos: ‘A porta abrir-se-á’”, acrescentou.

A antiga estrela da NBA começou a chorar quando descreveu as ameaças de morte que afirma ter recebido por se encontrar com Kim Jong-un e por defender a paz entre Pyongyang e Washington.

Eu recebi tantas ameaças de morte (…). Eu acredito na Coreia do Norte. Eu não podia sequer ir para casa [quando regressava de Pyongyang], tive de me esconder durante 30 dias”, contou.

"Todo o mundo estava contra mim, e eu ainda estou de pé", sublinhou. "É um ótimo dia para todos - Tóquio, China ... Estou muito feliz", concluiu.

De acordo com a Reuters, enquanto decorria a cimeira entre os presidentes dos EUA e da Coreia do Norte, Dennis Rodman desfrutava de um charuto na piscina de um hotel localizado a cerca de 200 metros do Capella Hotel onde as delegações dos dois países se encontraram. Questionado pela agência de notícias, o antigo jogador recusou responder se iria encontrar-se com qualquer dos intervenientes, causando ainda mais dúvidas sobre a sua presença em Singapura.

Na segunda-feira, dia em que chegou ao local, Dennis Rodman disse estar "animado" por fazer parte de um momento histórico. Mas, ainda nos EUA, Donald Trump negara que tivesse convidado Rodman a fazer parte da comitiva.

O antigo basquetebolista norte-americano já esteve pelo menos cinco vezes em Pyongyang e diz que Kim Jong-Un é um amigo para a vida. A relação com Donald Trump foi sendo construída, acima de tudo, durante as participações de Rodman no reality show “The Apprentice” (“O Aprendiz”), produzido e apresentado pelo multimilionário, agora presidente dos EUA.