Um grupo de homens vestidos com um fato dos Ku Klux Klan, uma burca e um capacete entrou esta segunda-feira no parlamento australiano para pedir a proibição do uso da burca no país.

À entrada do edifício, os manifestantes foram informados pelas forças de segurança que os capuzes e os capacetes de mota que envergavam eram proibidos dentro do parlamento.  

Não queriam mostrar o rosto, mas identificaram-se. Sergio Redegalli, Nick Folkes e Victor Waterson, os três homens que desafiaram a segurança do parlamento, chama ao seu protesto «Faceless» («sem cara», numa tradução livre) e quiseram precisamente interrogar o legislador por que é que é possível usar burca e não um capacete, conta o «Sydney Morning Herald». Ou seja, do seu ponto de vista, a busca devia ser proibida em espaços públicos.

«Aparentemente, é possível usar um véu que cubra todo o rosto quando se trata de uma mulher muçulmana, mas outros grupos não têm o mesmo privilégio», comentou um dos homens, Sergio Redegalli, vestido com a roupa que historicamente identificava os defensores da supremacia da raça branca nos Estados Unidos.

O seu ponto de vista ficou provado quando intercetados pelas forças de segurança antes de chegarem às galerias do parlamento. O chefe da segurança disse que o homem com as roupas do grupo racista era obrigado a tirar o capuz. O mesmo princípio foi aplicado ao homem com um capacete de moto na cabeça, dizendo-lhes que aqueles adereços não passavam. Quanto ao rosto coberto com uma burca, a polícia disse que seria interrogado. Concluindo tratar-se de um homem, a sua entrada de cabeça tapada também foi vedada, pelo que o grupo perguntou se essa não era uma medida sexista.

Os serviços de segurança do parlamento disseram, em sua defesa, que pediram aos elementos para se identificarem porque os protestos são permitidos no exterior do parlamento, mas não no seu interior. 
 
A questão em torno do uso ou não da burca tem alimentado debates políticos ao longo dos últimos anos na Austrália.  Uma lei que entrou em vigor a 20 de outubro dita a proibição de identificar quem se encontra num espaço público com burca. Ora, o movimento opositor desta liberdade religiosa entende que assim não se identificam pessoas que podem constituir um risco para a segurança.