As autoridades dinamarquesas apresentaram, esta sexta-feira, uma segunda acusação contra Peter Madsen, o proprietário de um submarino suspeito de estar envolvido na morte de uma jornalista sueca, segundo a AP. Peter Madsen já tinha sido acusado do homicídio de Kim Wall e, agora, enfrenta também uma acusação de manipulação do cadáver, de acordo com investigador-chefe Jens Moeller Jense.

O suspeito nega as acusações e afirma que Kim Wall morreu num acidente, durante a viagem de submarino, e que atirou o corpo ao mar, em Koge Bay, na Dinamarca.

O corpo da jornalista sueca foi encontrado no Mar Báltico, na quarta-feira, sem cabeça e sem membros, que, de acordo com as autoridades, foram cortados deliberadamente. Além disso, o cadáver tinha um pedaço de metal anexado, “provavelmente com o propósito de fazê-lo afundar”. Algumas marcas no corpo indicavam ainda que alguém tentou pressionar o ar para fora para que o cadáver não flutuasse.

Os exames de DNA, divulgados na quarta-feira, confirmaram que o corpo encontrado era da jornalista sueca e que o sangue descoberto dentro do submarino também pertencia a Kim Wall.

De acordo com o código penal da Dinamarca, uma acusação de homicídio leva a uma pena de prisão que pode ir de cinco anos a prisão perpétua. Já a manipulação de um cadáver pode resultar numa multa ou numa pena de prisão até seis meses.

O mistério do desaparecimento da jornalista sueca

Kim Wall, uma jornalista sueca de 30 anos, desapareceu sem deixar rasto. Foi vista pela última vez num submarino, com o proprietário Peter Madsen, no dia 10 de agosto. Pretendia fazer uma reportagem sobre o submarino, mas a embarcação afundou-se pouco tempo depois de iniciar a viagem.

Peter Madsen foi resgatado com vida e a polícia logo suspeitou que o engenheiro estivesse envolvido no desaparecimento da jornalista. As autoridades acreditam que o submarino foi deliberadamente afundado por Madsen.

Na versão inicial, o homem assegurou que, depois de algumas horas de viagem (que começou no porto de Copenhaga), ambos desembarcaram na ilha dinamarquesa de Refshaleoen Wall, a pedido da jornalista. Contudo, Kim não regressou a casa e as discrepâncias na história contada pelo proprietário do submarino levaram à sua detenção.