O inventor dinamarquês Peter Madsen negou esta quinta-feira ter morto a jornalista sueca Kim Wall a bordo do seu submarino em agosto do ano passado, no julgamento que começou esta quinta-feira em Copenhaga, a capital da Dinamarca. 

Em tribunal, Madsen contou em pormenor o que terá acontecido no dia em que a jornalista o visitou para conhecer o submarino Nautilus na tarde de 10 de agosto, perto de Copenhaga.

Perante o juiz, o dinamarquês afirmou que a jornalista morreu por envenenamento por monóxido de carbono, depois da pressão do ar ter caído de repente enquanto ele estava no convés. Por sua vez, Kim Wall já se encontrava dentro do submarino que, segundo o arguido, se começou a encher de gases tóxicos.

O inventor garantiu ainda que tentou abrir a escotilha do submarino, mas não conseguiu fazê-lo.

"Quando finalmente consegui abrir a escotilha, um bafo quente atingiu-me na cara. Encontrei-a sem vida no chão, agachei-me e tentei acordá-la, dando-lhe estaladas nas bochechas", afirmou.

No entanto, apesar de garantir que não provocou a morte de Kim Wall, o dinamarquês admitiu que desmembrou o corpo da sueca e que o atirou ao mar. Quando questionado porque o fez, Madsen disse que não entendeu "como isso podia importar, já que ela estava morta".

O tribunal perguntou ainda a Peter Madsen porque mudou o seu depoimento várias vezes, tendo este afirmado que o fez para "poupar a família dela dos detalhes horríveis".

No primeiro dia de julgamento estiveram presentes vários parentes da vítima, incluindo os seus pais e muitos jornalistas estrangeiros e dinamarqueses, de acordo com o relato feito pela AFP.

De acordo com a acusação do Ministério Público, o inventor dinamarquês Peter Madsen torturou e abusou sexualmente da jornalista sueca Kim Wall antes de a matar a bordo do submarino que construiu.