Kim Kardashian não é a primeira a fazê-lo, mas é o caso mais recente de uma celebridade que aderiu à placentofagia, uma prática comum entre os mamíferos: comer a placenta depois de dar à luz. No caso dos humanos, podem fazê-lo não de forma literal, mas convertendo aquele órgão em comprimidos. 

Quando teve recentemente o segundo filho, em dezembro, a socialite fez questão de partilhar com os seus seguidores os benefícios desse ato como suplemento medicinal. 

Kardashian explicou no seu site oficial que, na verdade, manda "congelar e transformar o anexo embrionário em comprimidos". Não o "frita como um bife", esclareceu.
"Quando estava grávida da North, ouvi histórias de mães que nunca comeram a própria placenta quando estavam grávidas do primeiro filho e que depois tiveram depressão pós-parto, mas quando tomaram os comprimidos, durante a segunda gravidez, não tiveram depressão. Então pensei, por que não tentar? Que tenho a perder?", contou ainda, mostrando que não está arrependida:

"Tive grandes resultados e senti-me com tanta energia, sem quaisquer sinais de depressão! Definitivamente tinha que fazê-lo de novo. Cada vez que tomo um comprimido, sinto uma onda de energia, e sinto-me realmente saudável e bem. Recomendo-o totalmente a qualquer pessoa que esteja a considerar fazê-lo".

A própria irmã de Kim Kardashian, Kourtney, também se mostrou fã da prática em janeiro, depois do nascimento do filho e até publicou uma foto no Instagram: "Deliciosos... Comprimidos de placenta! Não estou a brincar.. Vou ficar triste quando os meus comprimidos da placenta acabarem. Eles alteraram a minha vida!".

 
 

Yummy...PLACENTA pills! No joke...I will be sad when my placenta pills run out. They are life changing! #benefits #lookitup

Uma foto publicada por Kourtney Kardashian (@kourtneykardash) a


O que dizem os médicos?


Não há estudos clínicos rigorosos que suportem esse suposto benefício. No entanto, embora seja ainda uma prática minoritária, a ingestão de placenta está a ganhar adeptos, sobretudo nos EUA e também já na Europa. 

Quem a consome diz que, para além de combater a depressão pós-parto, aumenta os níveis de energia e estimula, ainda, a produção de leite materno. Será mesmo assim?

"Temos muitas evidências anedóticas para sugerir que as mulheres experimentam benefícios reais", afirma o médico e antrolólogo Daniel Benyshek, professor da faculdade de Nevada-Las Vegas, citado pela BBC. 

"A maioria dos profissionais de saúde está cética, porque não existem estudos científicos que confirmem não só que a ingestão de placenta seja eficaz, como seja também segura"


Daí que a classe médica considere que esteja em causa um efeito de placebo, isto é, um efeito terapêutico psicológico, que não advém diretamente do fármaco utilizado. 

De qualquer modo, quem tem olho para o negócio viu nisto grande potencial e já existem várias empresas que se dedicam a fazer da placenta comprimidos. 

A The Red Placenta Encapsulation, por exemplo, é responsável por recolher a placenta útero, começando por preparar primeiro uma bebida e, depois, transformando o restante em comprimidos. Cobra cerca de 250 dólares, qualquer coisa como 228 euros. 

A Brooklyn Placenta Services, outra empresa, com sede em Nova Iorque, cobra ainda mais: 350 dólares, cerca de 320 euros. 
 

Outros adeptos famosos


Tom Cruise foi das primeiras celebridades a levantar a questão em 2006, quando disse à revista GQ a sua intenção de o fazer, a propósito do nascimento da sua filha Suri. "Eu vou comer a placenta. Acho que vai ser bom, muito nutritivo. Como o cordão (umbilical) e a placenta ali mesmo". Dias depois esclareceu que as suas afirmações eram "uma piada".

Mas houve quem levasse mais a sério o assunto. A atriz norte-americana Gaby Hoffmann recomendou recentemente às mães para cortarem a placenta em 20 fatias, congelarem e adicionarem uma de cada vez num smoothie

January Jones e Kim Zolciak também já expressaram publicamente os benefícios de consumir a placenta.