O presidente interino da Coreia do Sul, Hwang Kyo-Ahn, considerou, esta quarta-feira, que o alegado homicídio do meio-irmão de Kim Jong-un é um símbolo da “brutalidade e a natureza desumana” do regime da Coreia do Norte.

Kim Jong-nam terá sido assassinado no aeroporto de Kuala Lumpur, na Malásia, alegadamente por duas agentes norte-coreanas, enquanto esperava por um voo para Macau, confirmou o porta-voz do Ministério da Unificação da Coreia do Sul.

O governo [da Coreia do Sul] tem a certeza que o homem assassinado é Kim Jong-Nam”.

A confirmação ainda não é, por isso, oficial. A polícia da Malásia – um dos poucos países com relações com a Coreia do Norte - confirma, no entanto, que uma mulher já foi detida, esta quarta-feira, no terminal low-cost do aeroporto de Kuala Lumpur, por suspeitas de ter participado no homicídio. A mulher tinha consigo um passaporte vietnamita que a identifica como sendo Doan Thi Huong.

Segundo a Reuters, a suspeita “foi identificada por imagens das câmaras de vigilância no aeroporto e estava sozinha na altura da detenção.”

A identificação do filho de Kim Jong-il ficou envolta em suspeita porque Jong-Nam viajava com um passaporte falso que o identificava como Kim Chol.

A polícia malaia informou, na terça-feira, que o meio-irmão de Kim Jong-un "sentiu-se tonto" e "pediu ajuda num dos balcões do aeroporto". Terá também dado a indicação de que o teriam "agarrado por trás pelo pescoço". Foi assistido num gabinete médico do aeroporto internacional de Kuala Lumpur, acabando por morrer na ambulância a caminho do hospital.

 

O futuro líder que foi exilado: quem era Kim Jong-Nam?

Considerado, em tempos, como o sucessor de Kim Jong-il, falecido pai do atual líder da Coreia do Norte, Kim Jong-nam acabou por morrer sem ter regressado ao país natal. Desde 2011, ano da morte do pai, que tentava passar despercebido, por medo de ser um alvo do regime liderado pelo meio-irmão.

Primeiro filho do líder supremo da Coreia do Norte com a atriz Song Hye-rim, Jong-nam nasceu em maio de 1971 em Pyongyang, mas a sua existência foi ocultada do avô Kim Il-sung, que desaprovava a relação do filho.

Segundo o perfil traçado pelo Telegraph, quando a relação foi aceite, Jong-nam começou a ser preparado para suceder ao pai como líder da Coreia do Norte. A partir de 1979, passou alguns anos na Rússia e Suíça e cedo começou a questionar o regime e o modelo económico do país liderado pelo pai.

No entanto, regressado à Coreia do Norte acabou por ser coagido por Kim Jong-il para tomar um lugar no regime. Aliás, entre 1994 e 2001 foi considerado o sucessor do líder supremo, tendo em 1998, integrado formalmente o governo, tendo sido nomeado Ministro da Segurança Pública. 

Já em 2001, foi detido no aeroporto internacional de Tóquio, acompanhado por duas mulheres e uma criança de quatro anos – identificado como seu filho – com um passaporte falso da República Dominica. Depois de três dias de interrogatório, confessou que estava no país para visitar a Disneyland.

Esta não foi a primeira vez que Jong-nam visitou a nação nipónica e até seria conhecido em várias casas de Yoshiwara, em Tóquio, uma área conhecida pela prostituição.

Como escreve a BBC, depois do incidente Jong-nam seria exilado para Macau, no mesmo ano, onde passou a utilizar um passaporte português falso para viajar. Acabaria por deixar a antiga colónia portuguesa em 2012, menos de um ano depois do meio-irmão assumir o poder da Coreia do Norte.

Desde então tinha sido visto em Singapura e, já em 2014, na Malásia, depois do tio, e segunda figura do regime (de quem se diz que era próximo), ter sido executado.

Apesar de ter afirmado que era contra o tipo de regime praticado na Coreia do Norte e de ter dito que não tinha interesse em governar o país, Jong-nam seria visto por Kim Jong-un como uma ameaça, por ser o filho mais velho.