O ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Rui Machete, afirmou hoje que os chefes de Estado e Governo da União Europeia poderão aprovar sanções à Rússia caso «não haja um desanuviamento» da situação na Ucrânia.

Crimeia: tropas russas fazem ULTIMATO à Ucrânia

No final de um conselho extraordinário de Negócios Estrangeiros da União Europeia, exclusivamente dedicado à questão da Ucrânia e dos últimos avanços da Rússia, o chefe da diplomacia portuguesa criticou Moscovo por violar «princípios básicos do direito internacional» ao entrar na Crimeia, uma península no sul da Ucrânia.

«Este é um conselho histórico porque estivemos a analisar uma violação flagrante do direito internacional pela Rússia, a Rússia não respeita a soberania e o território da Ucrânia», afirmou Machete.

O ministro português referiu contudo que a União Europeia não quer ter de «quebrar a possibilidade dos contactos com a Rússia», mas advertiu que podem ser adotadas sanções caso «não haja um desanuviamento».

Rui Machete defendeu que «não devemos ser pessimistas», mas que na cimeira de quinta-feira, os primeiros-ministros da União Europeia poderão mesmo aprovar medidas mais drásticas contra a Rússia: «Uma das hipóteses é essa, se não houver um desanuviamento. Isto é um processo dinâmico, que está a mexer-se quase de hora a hora».

A União Europeia convocou para quinta-feira de manhã uma cimeira extraordinária para discutir a situação na Ucrânia, disseram à Lusa fontes europeias.

O bloco europeu ameaçou também questionar as suas relações com a Rússia, caso não seja registada uma «contenção da escalada» na Ucrânia.

«Na ausência de medidas para a contenção da escalada por parte da Rússia, a UE deverá decidir as consequências sobre as relações bilaterais entre a UE e a Rússia», indicaram numa declaração os ministros europeus dos Negócios Estrangeiros.

A tensão entre a Ucrânia e a Rússia agravou-se na última semana, após a queda do Presidente Viktor Ianukovich, por causa da Crimeia, península do sul do país onde se fala russo e está localizada a frota da Rússia no Mar Negro.

Nas últimas 24 horas, segundo Kiev, aterraram na Crimeia dez helicópteros russos de combate e oito aviões de transporte de tropas, sem que a Ucrânia tenha sido avisada, como estipula o tratado bilateral sobre o estatuto da frota do Mar Negro.

Moscovo elevou para 6.000 soldados a sua presença na península da Crimeia, de acordo com o Ministério da Defesa da Ucrânia.

A câmara alta do parlamento russo aprovou no sábado, por unanimidade, um pedido do presidente Vladimir Putin para autorizar «o recurso às forças armadas russas no território da Ucrânia».