Atualizado às 15:09

O confrontos entre manifestantes e polícias no centro de Kiev voltaram a acontecer hoje com grande violência, apesar do cessar-fogo decretado quarta-feira.

Pelo menos 100 pessoas morreram e outras 500 ficaram feridas só nesta quinta-feira, na capital ucraniana, segundo disse à CNN o responsável pelos serviços médicos dos manifestantes. No total, entre ontem e hoje serão já 128 as vítimas mortais na Praça da Independência.

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O governo ucraniano não emitiu qualquer número oficial das vítimas mortais neste segundo dia de violentos confrontos no coração de Kiev, mas o ministro do Interior fez saber que existem 67 polícias capturados pelos manifestantes.

Centenas de opositores radicais avançaram e obrigaram ao recuo das forças antimotim que rodeavam a Praça da Independência, ao mesmo tempo que eram ouvidos disparos. A partir daí, instalou-se o caos.

A ação dos manifestantes aconteceu quando estava em vigor um cessar-fogo para se encontrar um caminho para a solução do conflito entre poder e oposição.

Os manifestantes terão capturado vários agentes da autoridade fardados. Pedras e «cocktail molotovs» continuam a ser lançados. Balas e granadas são a resposta.

Devido ao reacender dos confrontos, a reunião prevista para esta quinta-feira, entre o atual executivo ucraniano e os ministros dos negócios estrangeiros europeus foi «adiada por motivos de segurança». Em Kiev estão os ministros da Polónia, Alemanha e França.

Ainda segundo o comunicado da presidência ucraniana, os manifestantes «estão a utilizar armas de fogo, incluindo snipers. Estão a atirar a matar». Sem avançar um número certo, o documento garante ainda que «há dezenas de polícias mortos e feridos».

A oposição garante que também as autoridades estão a recorrer a snipers.

Autarca de Kiev demite-se

Entretanto, o presidente da câmara de Kiev demitiu-se nesta quinta-feira do Partido das Regiões, liderado pelo Presidente Viktor Ianukovitch, em protesto pelo «derramamento de sangue» nos confrontos das últimas 48 horas.

«Os acontecimentos na capital da Ucrânia são uma tragédia», afirmou Volodymyr Makeyenko, num comunicado citado pela agência France Presse.

«Decidi demitir-me do Partido das Regiões e assumir responsabilidade pessoal pela subsistência da cidade de Kiev», acrescentou.

«Resistir ou morrer»

Um antigo imigrante ucraniano em Portugal, Sergei Sheyndryk, que está hoje entre os manifestantes na praça da Independência, disse à agência Lusa que no ambiente de «autêntica guerra civil», que se está a viver em Kiev, há muita gente pronta a «resistir ou morrer». Mas considera que a «luta é desigual» dada a disparidade de armamento entre as duas fações.

Segundo este ucraniano, «há muita gente a ajudar» os manifestantes, levando medicamentos ou comida.

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