Atualizado às 19:43

O presidente norte-americano, Barack Obama, afirmou hoje que os argumentos do presidente da Rússia, Vladimir Putin, para a sua incursão na Crimeia «não enganam ninguém» e disse que a «intromissão» dos russos vai afastar a comunidade internacional de Moscovo.

No entanto, Obama referiu também «informações» segundo as quais Putin, que deu uma conferência de imprensa hoje, estava a analisar as diferentes opções que tem face à crise ucraniana.

Minutos antes, o secretário de Estado dos Estados Unidos, John Kerry, já tinha lamentado que a Rússia estivesse «a criar pretextos para entrar mais» no território da Ucrânia e pediu a Putin que «recue e ouça atentamente», até porque os Estados Unidos, garantiu, «não estão à procura de uma confrontação».

John Kerry está de visita à Ucrânia e durante uma conferência de imprensa em Kiev, o representante da Casa Branca manifestou o seu apoio ao atual Governo de transição e anunciou um pacote de ajuda monetária na ordem dos 730 milhões de euros, escreve a agência Reuters.

John Kerry condenou a ação da Rússia na região da Crimeia e descreveu-a como «um ato de agressão», no entanto, disse acreditar que é possível diminuir a tensão através de instituições internacionais.

Esta visita oficial segue-se à suspensão da cooperação militar e económica com a Rússia, hoje anunciada.

Os Estados Unidos e os aliados europeus estão a pressionar Moscovo para retirar as tropas da Crimeia.

Primeiros contactos «tímidos» com líderes russos

Entretanto, o primeiro-ministro interino da Ucrânia, Arseniy Yatsenyuk, afirmou que o seu governo fez os primeiros contactos, que foram «tímidos», com os líderes russos para resolver a crise no Estado que pertencia à antiga União Soviética.

«Até agora, [as conversações] têm sido tímidas. Mas os primeiros passos foram dados», afirmou Yatsenyuk, numa declaração apresentada depois da reunião com o secretário de Estado norte-americano, John Kerry, que está na Ucrânia.

Rússia testa míssil

Também hoje a Rússia fez saber que testou, com sucesso, o lançamento de um míssil balístico na zona do mar Cáspio.

A notícia foi divulgada pela agência oficial russa, a RIA e cita o porta-voz do ministro da Defesa. A ogiva vazia deste míssil terá atingido o alvo no Kazaquistão.

No entanto, os Estados Unidos fizeram saber, escreve a agência Reuters, que sabiam antecipadamente da realização deste teste e que ele foi agendado antes da crise na Ucrânia e na Crimeia.