A estátua de Vladimir Lenine foi deitada a baixo, no domingo à noite, na cidade de Kharkiv, a segunda maior da Ucrânia.

A estátua do fundador da união de estados soviéticos de que a Ucrânia já fez parte, caiu no chão e partiu-se, como revela este vídeo publicado no YouTube, um momento a que várias centenas assistiram, num ato de reivindicação da independência da Ucrânia da Rússia em linha com o ideal defendido pelo governo ucraniano.

A revista «Courrier International» interpretou o momento com um «déjà-vu» daquilo que aconteceu em fevereiro em Kiev, a capital, numa «reconstituição» de uma cena já vista há mais de vinte anos por vários países da Europa de Leste que faziam parte da URSS. 

Segundo a revista, a ordem de derrubar e desmantelar a estátua partiu do governador da cidade. As autoridades criaram um perímetro de segurança para proteger aqueles que não quiseram perder o momento ao vivo, mas, após o derrube da imagem de um dos símbolos maiores da Rússia, os manifestantes correram para a figura.

Desfazer o símbolo da unificação do Leste, em contracorrente com o desejo de outro Vladimir, Vladimir Putin, acusado pelos Estados Unidos e aliados de apoiar os rebeldes. A Rússia tem sido alvo de sanções internacionais por querer precisamente anexar novamente várias cidades da Ucrânia. O Kremlin já anexou a Crimeia, legitimado por um referendo que a comunidade internacional não reconheceu. Donetsk é alvo de combates ferozes entre pró-separatistas russos e forças leais a Kiev há meses, o que já provocou, para além do êxodo de populações, a queda de um avião civil da Malaysia Airlines que sobrevoava os céus de Donetsk quando foi atingido por um míssil.

Os confrontos resultam de uma vontade do governo de Kiev de se aproximar do ocidente e da União Europeia, que não foi bem vista pela Rússia, que ameaçou «fechar a torneira» do gás.