A família de Kayla Muller, a refém que morreu às mãos do Estado Islâmico, divulgou uma carta escrita pela norte-americana antes de morrer, quando era prisioneira dos jihadistas.

«Se receberam esta carta significa que ainda estou presa, mas que os meus colegas foram libertados. Pedi-lhes para entrarem em contato convosco», começa por escrever Muller.


A jovem de 26 anos, que trabalhava numa agência humanitária, estava refém dos radicais desde agosto de 2013. Apesar disso, as palavras que escreveu à família não foram de ódio, nem de revolta, mas de tranquilidade e de gratidão.

«Mostraram-me a escuridão e a luz e aprendi que, mesmo na prisão, posso ser livre. Estou grata. Todas as situações têm um lado bom, só temos de procurar por ele.»


Muller assegurou mesmo que estava a ser tratada com respeito e bondade.

«Saibam que estou num sítio seguro, ilesa e saudável. Tenho sido tratada com respeito e bondade.»


Religiosa, confessou no documento agora divulgado que rezava todos os dias e que se tinha rendido «ao criador», uma vez que não lhe restava mais nada. A única coisa que lhe trazia sofrimento era saber que a família estava a sofrer com toda a situação. 

«Tenho saudades vossas, como se estivéssemos separados há uma década.»


A norte-americana pediu à família para não tomar uma posição no processo da sua libertação. 

«Não quero que as negociações para a minha libertação sejam um dever vosso. Isto nunca deveria ser um fardo para vocês.»



Muller revelou ainda que tinha escrito um canção, cujo poema dizia: « a parte de mim que dói mais é a que me tira da cama, sem a tua esperança não restaria mais nada». A jovem acabou a carta com uma mensagem de esperança e de força: «Não estou a ceder e não vou desistir, independentemente do que for preciso».

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, confirmou esta terça-feira a morte a jovem e garantiu que vai fazer tudo para «encontrar e trazer à justiça os terroristas que são responsáveis pelo sequestro e morte de Kayla».