O primeiro-ministro britânico, David Cameron, vai fazer um apelo pessoal ao governo saudita para tentar garantir a libertação de um idoso de 74 anos que foi condenado a 350 chibatadas, por transportar vinho no seu carro.

Karl Andree, que trabalha na Arábia Saudita há 25 anos, está preso desde o ano passado pelo crime. De acordo com a Lei Islâmica, o consumo e posse de álcool são proibidos. Os familiares temem que não sobreviva à punição.

O homem foi preso em agosto do ano passado, na cidade portuária de Jidda, após ter sido intercetado pela polícia enquanto conduzia. Transportava consigo garrafas de vinho, produzidas artesanalmente em sua casa.

A família de Karl Andree tem mantido conversações com o governo britânico para que este intervenha. Esta terça-feira, o ministério dos Negócios Estrangeiros fez saber que já entrou em contacto com o governo saudita.
 

“Estamos a tentar que a libertação aconteça o mais rapidamente possível”.


Pouco tempo depois, fonte do governo anunciou que David Cameron está a planear fazer um pedido por escrito às autoridades sauditas. 

Simon Andree, o filho do condenado, disse à BBC que receia que o pai não sobreviva às centenas de chibatadas.
 

“Ele teve cancro três vezes e sofre de asma. É um idoso frágil e tenho medo que esta decisão seja a sua sentença de morte”.


Já a sua filha, Kirsten Piroth, disse à BBC que os familiares ainda pensaram que ele fosse poupado à condenação, devido à sua idade avançada, mas rapidamente perceberam que isso não ia acontecer.
 

“Eu só quero que ele venha para casa..."



Já não é de agora que o  sistema judicial saudita tem sofrido um elevado escrutínio por partes das organizações de direitos humanos, que têm acusado o país de realizar julgamentos injustos, juntamente com a aplicação de sentenças desproporcionadas. 

Entretanto, o governo britânico anunciou cancelamento do contrato entre o ministério da Justiça e o sistema prisional saudita, que previa o fornecimento de serviços prisionais à Arábia Saudita. O negócio de cerca de 9 milhões de euros estava a gerar controvérsia já que a a monarquia autocrática saudita apresenta um historial negativo em matéria de direitos humanos.

Num relatório publicado em agosto passado, a Amnistia Internacional revelou que a Arábia Saudita executou pelo menos 175 pessoas nos últimos 12 meses.