Mais de 100 migrantes, entre os quais crianças, foram obrigados a saltarem para alto mar depois de serem agredidos e ameaçados pelos traficantes com kalashnikovs. O relato dos momentos de terror vividos a bordo do barco foi feito pelos sobreviventes ao Guardian

Foi em plena costa do Iémen que pelo menos 51 pessoas morreram depois de serem obrigadas a saltar do barco onde viajavam. Os traficantes, armados com metralhadoras, ameaçaram 120 homens, mulheres e crianças,a saltar quando estavam a cerca de um quilómetro da costa do Iémen, alegando que não conseguiriam atracar nas praias. 

Os traficantes disseram-nos que era muito perigoso aproximarem-se da costa porque as autoridades iemenitas já ali tinham detido outros traficantes. Então, mandaram-nos saltar. Algumas pessoas gritaram e imploraram para que eles nos levassem mais próximo da praia. Eles recusaram e começaram a bater nas pessoas com paus. Estavam armados com AK47 e todos tinham medo de discutir. As pessoas começaram a saltar para a água. Infelizmente poucos sobreviveram. Lembro-me de alguns muito novos e que não sabiam nadar", contou Abdirahim Ilmi Aano, de 25, um trabalhador em Bosaso, via telefone.

O barco tinha saído de Bosaso, na Somália, 16 horas antes da viagem acabar de forma trágica para pelo menos 51 somalis. A Organização Internacional para as Migrações revelou que encontrou 29 corpos enterrados na praia de Shabwa durante uma patrulha de rotina. Segundo um comunicado da agência, os mortos foram enterrados pelos que sobreviveram, mas há ainda 22 desses migrantes desaparecidos.

Pode ser o início de uma nova tendência. Os contrabandistas sabem que a situação é perigosa para si porque podem ser alvejados e atiram-nos para fora do barco perto da praia",  refere à agência noticiosa Reuters, a porta-voz da OIM.

Mais de 111 mil migrantes chegaram à costa do Iémen no ano passado.