Desde 2013, que em Kalachi, no norte do Cazaquistão, os habitantes são surpreendidos por uma ‘epidemia de sono’. Sem motivo aparente, as pessoas adormecem de forma súbita, podendo ficar vários dias assim. Mas o mistério da aldeia já foi desvendado.

A incógnita permaneceu dois anos, durante os quais um quarto da população foi afetada por episódios de sono repentino, com queixas de dores de cabeça, tonturas e náuseas.  

 “O meu cérebro desligou”, disse Viktor Kazachenko, citado pelo site EurasiaNet. “Dirigia a minha moto a 28 de agosto [de 2014] e de repente caí no sono”, acrescentou o morador, que só voltou a acordar a 2 de setembro.

De acordo com o EurasiaNet, após várias análises aos habitantes e testes de laboratório ao solo, água, qualidade do ar e produtos agrícolas, os cientistas descobriram a causa do problema.

O vice-primeiro-ministro do Cazaquistão, Berdibek Saparbaev, revelou que os episódios de sono devem-se à proximidade de uma mina de urânio abandonada, que leva a concentrações anormais de monóxido de carbono e hidrocarbonetos no ar.

“Depois de fazer exames em todos os habitantes, recebemos a confirmação dos laboratórios. A causa principal é o monóxido de carbono”, anunciou Saparbaev.


Segundo o The Astana Times, o diretor do Centro Nuclear do Cazaquistão, Sergey Lukashenko, explicou que o mais “interessante é que a doença do sono só se manifesta com a combinação de falta de oxigénio e excesso de monóxido de carbono e hidrocarbonetos”.

O cientista declarou ainda que a origem dessa contaminação provém de Krasnogorsk, um vilarejo perto de Kalachi, onde está localizada uma mina de urânio.

A mina está encerrada desde a queda da União Soviética e o investigador clarificou que o urânio ou outra radiação associada ao elemento não estão ligados aos episódios de sono.