A justiça britânica voltou, esta terça-feira, rejeitar o recurso apresentado por Julian Assange e decidiu manter o mandado de detenção do fundador do WikiLeaks, que se encontra refugiado na embaixada do Equador em Londres há mais de cinco anos, noticia a agência Reuters.

O tribunal de Westminster, em Londres, já tinha apreciado e recusado o pedido de suspensão do mandado de detenção de Julian Assange, a 6 de fevereiro, e considerou que a sua manutenção “não fere o interesse público”, conforme referiu a defesa do australiano no novo recurso apresentado à justiça.

"Não estou convencida de que o mandado possa ser retirado", disse esta terça-feira a juíza Emma Arbuthnot, perante os advogados de Assange, jornalistas e apoiantes do fundador do WikiLeaks, no Tribunal de Westminster. "Considero que a prisão é uma resposta proporcional, mesmo que Assange restrinja sua própria liberdade há vários anos", acrescentou a juíza.

Julian Assange refugiou-se na representação diplomática equatoriana em junho de 2012 para evitar a extradição para a Suécia, onde as autoridades investigavam alegadas práticas de crimes sexuais contra duas mulheres, em 2010. Considerando que não havia perspetivas de extraditar Assange para a Suécia num futuro próximo, os procuradores suecos acabaram por arquivar o processo em 2017.

O fundador do WikiLeaks recorreu por isso do mandado de detenção em vigor no Reino Unido. Os advogados do australiano de 46 anos alegaram que o mandado de captura “perdeu o objeto e a função” já que a Justiça sueca arquivou o processo em que estava acusado de violação.

Mas Julian Assange ainda é alvo de um mandado no Reino Unido por ter violado os termos da liberdade condicional em 2012. A juíza Emma Arbuthnot decidiu que o pedido de detenção ainda é válido do ponto de vista jurídico, porque a decisão do Ministério Público sueco de arquivar o caso de Assange em maio de 2017 foi proferida depois de o fundador do WikiLeaks ter violado as condições da liberdade sob fiança.

Julian Assange, que recebeu a nacionalidade equatoriana em dezembro do ano passado, teme, caso seja preso, ser extraditado e julgado nos Estados Unidos pela divulgação em 2010 de milhares de segredos militares e documentos diplomáticos norte-americanos.