O ex-diretor do FMI Dominique Strauss-Kahn, acusado em França de proxenetismo agravado, afirmou esta terça-feira em tribunal que ignorava que as mulheres presentes nas festas sexuais em que participou eram prostitutas.

Questionado pelo juiz Bernard Lemaire sobre se tinha «mudado de ideias» quanto à alegação de que ignorava tratar-se de prostitutas, um elemento chave da sua estratégia de defesa, o acusado respondeu: «Não».

O tribunal correcional de Lille (norte de França) iniciou hoje, cerca das 11:00 locais (10:00 TMG e Lisboa), a audição do ex-diretor do Fundo Monetário Internacional com a leitura de uma carta escrita pelo próprio aos peritos de psiquiatria encarregados de avaliar a sua personalidade. «Não cometi nem crime nem delito», escreveu.

Depois, em resposta aos juízes, Strauss-Kahn negou qualquer «atividade desenfreada», em alusão às festas sexuais organizadas por um grupo de amigos e com a presença de prostitutas, na origem do processo judicial que lhe foi movido e a 13 outras pessoas.

«Quando se lê o despacho judicial fica-se com a impressão de uma atividade frenética», em que as datas se misturam sem precisão, afirmou Strauss-Kahn. «Não houve essa atividade desenfreada», disse.

O principal elemento da acusação contra Strauss-Kahn são os testemunhos das prostitutas, que asseguraram que o político francês sabia, e não podia ignorar, que elas estavam ali por dinheiro.

Dominique Strauss-Kahn tem três dias, a partir de hoje, para convencer os juízes da sua tese.

Se não o conseguir e for considerado culpado, incorre numa pena de até 10 anos de prisão e 1,5 milhões de euros de multa por proxenetismo agravado.