A justiça francesa condenou esta terça-feira a quatro anos de prisão Jean-Claude Mas, fundador da sociedade PIP, que vendeu implantes mamários defeituosos durante anos, no primeiro julgamento deste caso.

O tribunal de Marselha (sul) condenou quatro antigos executivos da PIP, acusados de burla e fraude agravada, a penas de prisão de três anos, dois de pena suspensa, e 18 meses de cadeia com pena suspensa, regista a France Presse citada pela Lusa.

O tribunal proibiu ainda o fundador da PIP de voltar a exercer cargos de gestão empresarial ou de trabalhar no setor médico e condenou também a pagar uma multa de 75 mil euros.

Jean-Claude Mas, de 74 anos, fundou a empresa Poly Implant Prothèse (PIP) em 1991, que se transformou no quarto fabricante mundial de implantes mamários de custo reduzido fabricados com um silicone não homologado pelas autoridades.

O julgamento durava desde abril. O uso de materiais inferiores na conceção dos implantes mamários revelou-se um escândalo à escala planetária. Mais de 5500 casos de dores ou ruturas registadas em mulheres de 65 países. Para se ter uma ideia, 80 por cento da produção da PIP foi para exportação.

Com queixosas dos quatro cantos do mundo chamadas a testemunhar e mais de 300 advogados, as audiências tiveram que decorrer num centro de congresssos.

O Infarmed registou em Portugal 71 casos de rutura de implantes mamários da marca Poly Implant Prothese (PIP).