Os arqueólogos responsáveis pela expansão do Museu da Torre de David, em Jerusalém, acreditam ter encontrado as ruínas do local onde, de acordo com o Novo Testamento, Jesus Cristo foi julgado, avança o «Whashington Post».

As escavações começaram há 15 anos, mas apenas agora, quando começaram a trabalhar sob um edifício antigo abandonado ao lado do museu, encontraram os possíveis restos do Palácio erguido pelo excêntrico rei Herodes.

Os cientistas já sabiam que no tempo dos Impérios Otomano e Britânico o local tinha servido de prisão, mas estavam longe de saber que por baixo dela jaziam as ruínas do local onde Jesus terá sido sentenciado à morte.

«A prisão é uma grande parte do antigo quebra-cabeças de Jerusalém e mostra a história da cidade de uma forma única e clara», defendeu Amit Re’em, arqueólogo que chefiou a equipa de escavação.


Para Amit Re’em, o empreendimento tem oferecido emocionantes descobertas ao longo dos séculos, que vão desde símbolos gravados nas paredes por prisioneiros do tempo da resistência judaica para criar o estado de Israel nos anos 40, até artefactos das Cruzadas.

O debate sobre o local onde foi ditado o fim da caminhada de Jesus na Terra continua, tanto entre líderes cristãos, como entre historiadores e arqueólogos, mas é quase consensual que o palácio se situava na zona do Museu da Torre de David e da prisão.

«Obviamente, não há qualquer inscrição a declarar que ocorreu aqui, mas tudo - relatos arqueológicos, históricos e evangélicos - recai sobre este lugar e faz sentido», constatou Shimon Gibson, o professor de arqueologia da Universidade da Carolina do Norte em Charlotte, em declarações ao Washington Post.


A alegada descoberta confirma, segundo o reverendo David Pileggi, da congregação anglicana Christ Church, «o que todos esperavam há muito tempo: que o julgamento decorreu perto da Torre de David».

Para mais de um milhão de peregrinos cristãos que visitam Jerusalém todos os anos, esta descoberta é especialmente significativa porque pode ter albergado o julgamento encabeçado por Pilatos.

Apesar da importância, segundo Pileggi, o que torna um local sagrado «é o facto de as pessoas rumarem até lá durante centenas de anos, rezarem, chorarem, e até celebrarem lá». Na opinião do reverendo, não haverá mudanças no roteiro da cidade tão cedo.