A mãe do menino Hamzah Khan, que terá morrido de fome e o corpo permanecido no berço durante quase dois anos, diz que a criança «se matou de fome». É o que revelam as gravações das conversas entre Amanda Hutton e a polícia, feitas pouco depois da detenção em 2011 e que agora estão a ser ouvidas em tribunal.

As gravações revelam ainda que, imediatamente a seguir à detenção, Amanda alegou que o filho estava em casa de familiares. Depois de a polícia lhe ter dito que o menino tinha sido encontrado, a mulher mudou a versão dos factos, admitindo que Hamzah tinha morrido depois de ficar muito doente.

«Começou a comer cada vez menos com o tempo. (...) Eu estava preocupada com ele e não sabia o que fazer. Ele estava a perder muito peso e eu comecei a entrar em pânico ainda mais», revelou a mulher.

Ele parou de comer por completo. Não foi forçado a passar fome. Matou-se de fome. Achei que tinha a situação sob controle, mas ele parou de comer por completo», acrescentou.

Amanda, que está a ser julgada no tribunal de Bradford, Inglaterra, diz que era uma verdadeira «guerra» alimentar o filho. Alega que ainda lhe tentou dar uma substância que o faria ganhar peso e quando lhe perguntam se resultou, limitou-se a responder: «não exatamente, se não ainda estaria aqui».

Contou ainda que soube da morte de Hamzah, depois de um telefonema do filho mais velho pedindo-lhe que fosse para casa, porque o irmão estava mal. Amanda diz que, quando chegou a casa, o menino vomitou e perdeu a consciência. A mulher assegura que tentou reanimá-lo durante 10 minutos, mas em vão.

Nas conversas reveladas agora em tribunal, a mulher disse ainda que o menino era «mau» e «violento».

A morte do menino terá ocorrido em 2009, mas o corpo foi encontrado mais de um ano depois.