O julgamento do suspeito do duplo atentado na maratona de Boston em 2013, Djokhar Tsarnaev, está a decorrer e estão a ser revelados novos elementos: o seu irmão mais velho, Tamerlan, que foi morto na caça ao homem que se seguiu aos ataques, fez pesquisas na Internet sobre explosivos, nas semanas que antecederam aquele dia 13 de abril.

Djokhar, que se encontra preso, já tinha culpado o irmão morto pelo ataque. Agora, um perito em informática, que analisou três equipamentos dos suspeitos, depôs em tribunal, esta terça-feira e revelou o que o computador de Tamerlan tinha, no histórico.

Ficamos a saber, assim, que o suspeito, agora já morto, realizou pesquisas na Net sobre transmissores, recetores, explosivos, detonadores, fogo de artifício e lojas de armas, incluindo revólveres Ruger P95, antes dos ataques, especificou o perito forense Mark Spencer, que é citado pela Reuters. 

Já o computador do irmão mais novo, que pode ser condenado à morte se vier a ser provado que realizou o ataque, não apresentava tais pesquisas nesse período de tempo que antecedeu a tragédia. Na realidade, segundo o perito, o jovem de 21 anos navegava na Internet pelas redes sociais, como o Facebook e surf era tema frequente nas suas pesquisas. 

Foram os advogados de Dzhokhar Tsarnaev, que chamaram Spencer como sua terceira testemunha em defesa do réu. Outra testemunha foi um analista de telecomunicações, segundo a AFP. Testemunhou, por exemplo, que o telemóvel do irmão que sobreviveu estava a ser usado no sudeste do Massachusetts - onde ele estava a frequentar a Universidade de Massachusetts-Dartmouth - enquanto as panelas de pressão estavam a ser adquiridas no norte de Boston, em Saugus, pelo irmão. 

Gêmeas bombas cheias de BBs e estilhaços explodiu perto de linha de chegada da maratona em 15 de abril de 2013. Três pessoas foram mortas e mais de 260 feridos.
 
O Ministério Público acusa os irmãos de terem utilizado controlos remotos de carros de brinquedo para detonar as bombas caseiras, feitas com panelas de pressão e recheadas com pólvora extraída de fogos de artifício, que rebentou no meio da multidão, fazendo três mortos e quase duas centenas de feridos.
 
Os advogados de Tsarnaev admitiram logo no início do julgamento, sem rodeios, que o seu cliente cometeu os crimes de que é acusado, mas pode ter sido uma estratégia para livrá-lo da pena de morte. Alega que Djhokhar Tsarnaev participou no ataque, mas retratou-o como um mero seguidor do plano do falecido irmão.

«Foi ele! Nós não vamos negar os seus atos», declarou a advogada Judy Clarke, na primeira audiência, marcada por testemunhos emocionados de alguns sobreviventes.