A baronesa Judith Wilcox, membro da Câmara dos Lordes, de Inglaterra, está a ser criticada, depois de ter exigido receber oito mil euros por mês por ter de se deslocar a pé até ao Palácio de Westminster, onde o parlamento se reúne. Uma distância de apenas 182 metros, a partir da mansão, estimada em seis milhões de euros, onde vive.

A ex-ministra é também acusada de explorar a nova medida de isenção de impostos e de ter uma pensão diária de 424 euros.

A baronesa de 74 anos, que já recebeu mais de 105 mil euros por estar presente no parlamento, não é o único membro da nobreza britânica a pedir este tipo de valores, apesar de grande parte viver em Westminster.

“Isto é tão revoltante como o escândalo das despesas do parlamento [que revelou, em 2009, as despesas do Estado britânico, incluindo os ordenados concedidos, com os membros do parlamento] ”, afirmou John Mann, membro do Partido Trabalhista, que acrescentou que “não há transparência nem provas de que estas pessoas atendam as sessões, depois de receberem o dinheiro”.


Para o deputado, a situação é alimentada por “pessoas que exploram a sua posição e o abuso das despesas é apenas uma das consequências”.

De acordo com uma investigação do Daily Mail, 124 dos 161 nobres que vivem em Londres reclamaram uma pensão diária, este ano. Foi gasto, no total, mais de um milhão de euros com estas despesas nos primeiros dois meses de 2015. Até ao final do ano, esta quantia pode ultrapassar os cinco milhões.

“As pensões atribuídas são baseadas na assiduidade e não no local de residência”, explicou um porta-voz da Câmara dos Lordes. “Não é pago um salário aos membros. Podem cobrar entre 212 e 424 euros por cada dia de trabalho no parlamento. Este sistema está a funcionar desde 2010. Apenas membros que morem fora da cidade podem cobrar despesas com a viagem”.


Antes de 2010, as regras ditavam que apenas os nobres cuja residência oficial se localizasse fora da capital, podiam reclamar uma pensão no valor de 246 euros.