Esta é a história de uma morta viva que está mais viva que morta. Juana Escudero Lezcano, espanhola de 53 anos, tem a certeza que está bem viva, mas para a Segurança Social e para as Finanças está mais que morta. Cansada de há sete anos viver na pele de quem não respira, pediu a um tribunal de Málaga a exumação de um corpo que do seu tem apenas o mesmo nome e a mesma data de nascimento.

Só quero que me digam quem foi enterrada nessa sepultura e me deem toda a informação que houver, porque não sei nada e imagino que em torno dela haverá exames médicos ou algo assim para fazer”, disse Juana Escudero Lezcano ao El País, ela que já se dispôs a fazer testes de ADN “ou o que for preciso” para esclarecer quem é a mulher enterrada no cemitério Parcemasa San Grabriel.

Enquanto não chega a ordem do juiz vai “esperando” e não raras vezes desesperando.

No mês passado visitou a “sua” sepultura, onde consta o seu nome e a sua data de nascimento (11 de setembro de 1963) apesar de estar ali de pé, vivinha da silva, a testemunhar a confusão com os próprios olhos.

O caso foi tornado público em maio e desde então que se mantém como sempre, ainda que agora Juana esteja a ser acompanhada por uma equipa de advogados.

Soube que estava morta pela sua médica de família, que, por sorte, a atendeu nas urgências na sequência de uma cólica renal e sabia, por isso, que Juana estava viva e não morta como lhe dizia o computador do hospital.

Quando inseriu o meu nome no computador apareceu-lhe a indicação de que estava morta. Virou o monitor para que eu visse: falecida”, contou.

No início pensou que seria um erro informático que se resolveria em pouco tempo, mas o 13 de maio de 2010 continua a persegui-la onde quer que se dirija. Foi à Segurança Social, às Finanças, à DGV, a todo o lado e em todo o lado tinham apenas uma palavra para lhe dizer: morta.

Em abril do ano passado foi com a filha à Câmara de Málaga para tentar colocar um ponto final no caso, mas foi-lhe dito que por não pagarem a quota do cemitério a campa de Juana iria ser retirada.

A minha filha respondeu que seria difícil, porque eu estava ali à frente da funcionária e a falar com ela”, contou.

A situação já não a diverte e, além dos vários transtornos que lhe causa, também lhe pode trazer complicações acrescidas.

É que já foi ameaçada pelas Finanças de que poderia ser multada por “usurpação de identidade”.

Além de me matarem, ainda me querem multar, sem eu ter nada a ver com esta história”, lamentou.

No entanto, para uma instituição Juana está bem viva e paga as suas dívidas.

Estou morta para todo o mundo menos para os bancos”, ironizou, lembrando que paga regularmente os créditos, a hipoteca e, inclusive, o seguro de vida.

Há a possibilidade, crê, de a sua vida estar a ser confundida com a morte de uma irmã com a qual não tem contacto e não sabe onde se encontra, além de não ter qualquer ligação a Málaga, ela que é de Sevilha.

Resta-lhe aguardar a decisão do juiz.