O Presidente do Panamá, Juan Carlos Varela, anunciou na segunda-feira o estabelecimento das relações diplomáticas com a China, e a rutura com Taiwan.

“O Governo da República do Panamá rompe hoje [segunda-feira] as suas ‘relações diplomáticas’ com Taiwan”, afirma um comunicado oficial. O país anunciou na mesma ocasião o estabelecimento de relações diplomáticas com a República Popular da China.

Em declarações à emissora pública de rádio e televisão, o Presidente disse que as negociações para o estabelecimento de relações bilaterais terminaram na segunda-feira em Pequim, entre os ministros dos Negócios Estrangeiros do Panamá e da República Popular da China, um país que “sempre teve um papel relevante na economia” da nação da América central.

"Até hoje a República do Panamá não tinha relações diplomáticas com a República Popular da China, um Estado que só por si representa 20% da população mundial e constitui a segunda maior economia do mundo. Esta é uma situação que um Presidente responsável não pode continuar a perpetuar", declarou Varela.

O Presidente acrescentou que a China "sempre teve um papel preponderante na economia do Panamá". "Atualmente é o segundo mais importante utilizador do Canal do Panamá e o principal fornecedor de mercadorias na Zona Livre de Colón", a maior do hemisfério e localizada no Caribe panamenho.

O Taiwan já confirmou a rutura dos laços diplomáticos com o Panamá, um dos seus mais importantes aliados. O secretário-geral do Gabinete Presidencial de Taipé, Joseph Wu, revelou que suspeitava que o Panamá poderia romper os laços diplomáticas, duas semanas antes de o Presidente do país, Juan Carlos Varela, confirmar a decisão.

Com esta medida, a China não só fere os sentimentos dos taiwaneses, como afeta negativamente a paz e estabilidade no estreito de Taiwan e em toda a região, disse Wu, em conferência de imprensa.

Por sua vez, o ministro dos Negócios Estrangeiros de Taiwan, David Lee, aceitou a total responsabilidade por falhar na manutenção dos laços com o Panamá, o aliado de Taiwan com maior perfil internacional, devido ao seu Canal.

Lee afirmou que as relações pareciam decorrer sem problemas, foram mantidos contactos frequentes e os canais permaneceram abertos, apesar de os diplomatas da ilha terem permanecido alerta.

Em comunicado, o Governo taiwanês anunciou o fim imediato das relações oficiais e de toda a cooperação bilateral.

Lee lamentou a rutura "unilateral" dos laços diplomáticos por parte do Panamá, ao estabelecer relações com Pequim, e anunciou o corte dos laços "para salvaguardar a soberania e dignidade nacional".

A oposição Taiwanesa culpou a Presidente Tsai Ing-wen pela rutura, por não ter feito o suficiente para melhorar os laços com a China, e exigiu a sua comparência no parlamento.

Após esta decisão, Taipé fica com vinte aliados diplomáticos, entre os quais onze estão na América Latina e Caribe.