Como se sentiu o rei Juan Carlos I quando abdicou do trono, a 19 de junho passado, a favor do seu filho Felipe? É o próprio monarca que, agora, conta tudo numa entrevista publicada pelo jornal ABC. Juan Carlos teve sentimentos mistos, de satisfação, dor e orgulho.

“Talvez a palavra emoção seja curta. Foram sentimentos contraditórios: a satisfação do dever cumprido e a dor da despedida, a pena de pensar que me retiro e o orgulho enquanto pai por ver o seu filho ali”

 É no suplemento semanal do jornal ABC que estão os excertos de uma entrevista do jornalista Fernando Ónega ao rei. Há outras confissões sobre esse momento: «Eu não sei como as coisas correram tão bem», já que tudo se passou como planeado: «Às vezes tenho a impressão de que me apareceu um pombo, que ficou no meu ombro e me inspirou, afirmou na entrevista.

Foi na primavera de 2013 que Juan Carlos começou a «estudar» como se poderia efetivar a possível abdicação, que ocorreu pouco mais de um ano depois. Começou a convencer-se que ia deixar de ser rei, aos poucos, mas de forma segura.

Quem sabia das suas intenções? Poucas pessoas, fora do círculo familiar. Contam-se pelos dedos das mãos: o primeiro-ministro, Mariano Rajoy; o ex-secretário-geral do PSOE Alfredo Pérez Rubalcaba e os ex-presidentes Felipe González, José Luis Rodriguez Zapatero e José Maria Aznar.