Entre 500 a 700 jovens de Macau concentraram-se esta quarta-feira na Praça da Amizade, centro da cidade, em «solidariedade» para com o movimento pró-democrático de Hong Kong, numa ação inédita que tentou marcar uma nova era nas reivindicações políticas locais.

«É o nosso futuro, o que pretendemos, mas queremos que nos oiçam de forma pacífica, ordenada e queremos mostrar que este movimento solidário com Hong Kong, que já abrange 63 cidades no mundo, quer o bem e quer realizar a vontade popular de Hong Kong», disse Edwin Hoi, um dos elementos que integraram a manifestação, exigindo mais democracia mas o respeito dos direitos cívicos.

De forma pacífica para uma «manifestação» do dia 01 de outubro, o Dia Nacional da China que há mais de sete anos é aproveitado para contestar nas ruas, e ruidosamente, as políticas do Governo local e da China face a Macau, a concentração de jovens visou mostrar «solidariedade» para com os colegas de Hong e «serviu de apelo» às polícias da antiga colónia britânica «para que não voltem a usar a força contra uma população pacífica e indefesa», sublinhou Edwin Hoi, um dos organizadores.

Com um contingente policial que não era muito visível e que até foi diminuindo, os manifestantes gritaram palavras de ordem como «liberdade para Hong Kong».

Protestos vão continuar em Hong Kong

Um dirigente do movimento «Occupy Central» condenou a violência e defendeu a continuidade dos protestos nos próximos dias, num discurso para os manifestantes na noite de terça-feira junto à sede do governo.

«Precisamos de prosseguir com a democracia», afirmou Chan Kin Man, ao referir a necessidade de serem mantidos os vários locais de protestos no centro financeiro e de negócios de Hong Kong. 

Estudantes fazem ultimato a chefe do executivo

Estudantes de Hong Kong fizeram um ultimato ao chefe do executivo local, Leung Chun-ying, exigindo que se demita até quinta-feira, sob pena de ocuparem edifícios governamentais, excluindo serviços sociais ou de saúde.

«Se o nosso chefe do executivo e o governo central (chinês) não respeitarem nem ouvirem a opinião das pessoas, vamos considerar diferentes ações nos próximos dias, incluindo ocupar outros locais, como importantes departamentos do governo», disse Agnes Chow, porta-voz do movimento estudantil 'Scholarism'.

«Mas temos de enfatizar um ponto muito importante: os edifícios governamentais que nós ocuparmos não serão os dos serviços sociais ou de saúde», sublinhou.