Uma norte-americana de 29 anos, com um grave tumor no cérebro, decidiu morrer no dia 1 de novembro. A jovem, natural da Baía de São Francisco, afirma que deseja «morrer com dignidade», ao invés de se submeter aos tratamentos complexos e dolorosos que a doença exige.

Durante toda a sua vida, Brittany Maynard foi uma mulher destemida: correu maratonas, viajou no sudeste asiático durante um ano e até se aventurou no Monte Kilimanjaro. Em setembro de 2012 casou-se e queria constituir família com o marido, Dan.

No entanto, a vida trocou-lhe as voltas e os sonhos. Pouco tempo depois do matrimónio, Maynard começou a ter dores de cabeça muito fortes. A 1 de janeiro de 2013, recebeu a notícia que ninguém quer ouvir: tinha um gliobastoma, um tumor maligno no cérebro. Inicialmente disseram-lhe que podia ter três a 10 anos de vida, mas, mais tarde, os anos foram reduzidos para apenas seis meses.

Depois do estado de choque inicial, a jovem falou com especialistas sobre a doença. Informou-se sobre os tratamentos pesados e os diversos efeitos secundários, que incluem um rápido aumento de peso e um grande inchaço da cara. Foi aí que decidiu que não queria esse caminho, mas antes uma morte «com dignidade».

«O meu glioblastoma vai matar-me e está fora do meu controlo. Falei com muitos especialistas sobre como iria morrer da doença e é terrível, é uma forma terrível de morrer. Poder escolher uma morte com dignidade é menos assustador», afirmou, em entrevista à revista «People».

Maynard decidiu então ir viver com a família para Oregon, que em 1997 se tornou no primeiro estado norte-americano a permitir o suicídio assistido para doentes em estado terminal. 
 
Aí, um médico receitou-lhe uma droga letal que lhe vai permitir ter a morte com dignidade que deseja. Porque para Maynard é disso que se trata, não de suicídio.

«Não há nenhuma célula no meu corpo que seja suicida ou que deseje morrer. Eu quero viver. Quem me dera que houvesse uma cura para a minha doença, mas não há», justificou.

O dia 1 de Novembro foi a data escolhida para morrer. Desta forma, a norte-americana ainda poderá estar com o marido no seu aniversário.

«Queria celebrar o aniversário do meu marido que é a 26 de outubro. Estou a ficar cada vez mais doente, cada vez com mais dores e dificuldades e por isso decidi esta data», afirmou.

Desde que tomou a decisão da sua vida, que é ao mesmo tempo a decisão da sua morte, a jovem quer contar ao mundo a sua história e sensibilizar consciências para a opção dos doentes a uma morte «com dignidade».

Para isso, criou uma página na Internet chamada «The Brittany Fund» e, esta segunda-feira, publicou um vídeo no YouTube que já conta com quatro milhões de visualizações.



Mais de 750 pessoas já usaram a lei que prevê o direito ao suicídio assistido, no estado do Oregon. A média de idades dos doentes situa-se nos 71 anos e apenas seis pessoas com menos de 34 anos, como Maynard, usaram esta lei.