Os Estados Unidos mostraram hoje disponibilidade para discutir “táticas e práticas” com a Rússia sobre a Síria, mas ainda não foi tomada uma decisão definitiva quanto à proposta russa para conversações sobre o conflito sírio.

O porta-voz da Casa Branca, Josh Earnest, assegurou, em conferência de imprensa, que o Governo norte-americano “está aberto para conversações táticas e práticas” com a Rússia sobre a Síria e a campanha contra o grupo extremista Estado Islâmico.

O secretário de Estado norte-americano, John Kerry, revelou na quarta-feira que recebeu uma proposta da Rússia para iniciar conversações “militares” sobre o conflito na Síria.

O porta-voz do Pentágono, Peter Cook, afirmou hoje que o secretário da Defesa norte-americano, Ash Carter, está a “consultar o resto da equipa de segurança nacional para determinar a melhor foram de proceder” face à proposta russa.

“É algo que está a ser considerado, mas não há nenhuma decisão tomada”, disse Cook.


O Presidente russo, Vladimir Putin, afirmou terça-feira que Moscovo vai continuar a apoiar com ajuda técnico-militar o Governo sírio na sua luta contra grupos terroristas, incluindo o grupo extremista Estado Islâmico.

Os Estados Unidos opõem-se a qualquer apoio ao Governo de Bachar al-Assad e defendem que o líder sírio não pode participar na transição política necessária para acabar com a guerra civil na Síria.

O conflito naquele país árabe teve início em março de 2011 com uma série de protestos contra o Governo.

A guerra civil já provocou 220.000 mortos e mais de quatro milhões de refugiados em países vizinhos, assim como 7,6 milhões de deslocados internos, segundo números divulgados pelas Nações Unidas.
 

Síria protesta na ONU contra medidas militares da Austrália, França e Reino Unido


O Governo sírio protestou junto da ONU contra as “medidas militares” adotadas pelo Reino Unido, França e Austrália, que considerou contrariarem a Carta das Nações Unidas, informou hoje a agência noticiosa da Síria, Sana.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros sírio enviou duas cartas ao secretário-geral da ONU e ao presidente do Conselho de Segurança para denunciar “medidas militares” que aqueles três países lançaram contra a Síria.

Na quarta-feira, o Governo australiano confirmou que aviões do seu país realizaram bombardeamentos na Síria no âmbito da coligação internacional para combater o grupo extremista Estado Islâmico.

No início de setembro, a França anunciou o início de voos de reconhecimento sobre a Síria para uma eventual intervenção militar no país.

Damasco afirmou que “qualquer presença armada de qualquer país no território sírio, nas suas águas ou espaço aéreo, sem o consentimento do Governo, com o pretexto de lutar contra o terrorismo, será uma violação da soberania da Síria”.

“Combater o terrorismo no terreno requer a cooperação e estreita coordenação com o Governo sírio para implementar as resoluções antiterroristas destacadas pelo Conselho de Segurança”, refere.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros sírio recorda que o Exército sírio tem estado há mais de quatro anos a lutar contra grupos terroristas, como o Frente al Nusra (braço sírio da Al Qaida) e o grupo extremista Estado Islâmico, com destacada presença no solo sírio.

O conflito na Síria, que teve início em março de 2011, já provocou 220 mil mortos, mais de quatro milhões de refugiados e 7,6 milhões de deslocados internos, segundo dados da ONU.