O presidente do Partido Popular Europeu, Joseph Daul, criticou esta quarta-feira a atitude dos comunistas portugueses, por defenderem no parlamento europeu linhas de apoio para sair do euro e admitirem em Portugal, devido a negociações com o PS, deixar cair essa ideia.

"Sobre a situação de Portugal, vou dizer uma frase: os mesmos comunistas portugueses que pediram no parlamento europeu que o orçamento [comunitário] contenha uma linha que preveja a saída do euro, são os mesmos que dizem em Portugal que isso não é um problema, que querem ficar na Europa", declarou o francês, em conferência de imprensa no primeiro dia do Congresso do Partido Popular Europeu, em Madrid.


Daul referia-se à cedência do PCP – que defende que se estude a saída de Portugal do euro - nas negociações com o PS para formar governo, juntamente com o Bloco de Esquerda.

"Não sei como vão governar", acrescentou Daul sobre o que considerou ser uma diferença de posições.

Por isso mesmo, pediu aos socialistas portugueses que, se decidirem formar "governo extremista", então "que o admitam já".

Joseph Daul também comparou Portugal à Grécia no que toca à situação atual, alertando que "quem está a brincar com a situação", perdendo cinco ou seis meses, pode trazer para Portugal custos económicos elevados e esforços adicionais aos portugueses.

"Vejam o que aconteceu na Grécia. Está prestes a acontecer em Portugal", salientou Daul, para quem os portugueses "fizeram um esforço" que agora se arriscam a deitar fora.

Já o secretário-geral do PPE, o espanhol Antonio López-Isturiz, salientou que a coligação PSD/CDS-PP em Portugal ganhou "contra todos os prognósticos", numa "vitória claríssima".

"No entanto, o futuro de Portugal está a ser discutido em alguns gabinetes, entre o Partido Socialista" e dois partidos à sua esquerda, o Partido Comunista e o Bloco de Esquerda, notou.

"Se ocorrer isto será um mau sinal. E que tomem nota, sobretudo em Espanha, da tentação de termos esse tipo de coligações", disse o espanhol.

Para López-Isturiz, uma coligação de esquerda em Portugal afastaria os investidores.

"Podem imaginar como reagiriam a isto os investidores que agora confiam em Portugal e Espanha. Os investidores geram riqueza, trabalho, empresas. E agora o tecido comercial volta mexer. Ora [uma coligação de esquerda] gera grandes dúvidas e pode por tudo em perigo."


Por sua vez, o chefe da delegação espanhola no grupo parlamentar do Partido Popular Europeu considerou, no mesmo encontro, que os partidos da esquerda portuguesa estão a fazer "um pacto de perdedores", para "mandar em Portugal" e não para "transformar" o país.

"Não se apresentaram às eleições para transformar Portugal, mas sim para mandar em Portugal, o que não é o mesmo", considerou Esteban González Pons.

Para o eurodeputado espanhol, "a extrema esquerda está disposta a renunciar ao seu programa para poder chegar ao Governo", salientando que "os populismos renunciam a tudo desde que com isso possam chegar ao poder".

Alertou, por isso, que "o que aconteceu com Portugal" - uma vitória da coligação de direita PSD/CDS-PP sem maioria absoluta, abrindo caminho a uma coligação de esquerda com PS, Bloco de Esquerda e PCP - pode acontecer em Espanha.

"O que aconteceu em Portugal pode passar-se em Espanha. Pode acontecer que o PP [espanhol, atualmente no poder] ganhe as eleições e que se produza um pacto de perdedores. É bom que os espanhóis conheçam o que se está a passar em Portugal. Os votos podem acabar por ir para o PSOE [partido socialista espanhol]."


González Pons também explicou que "quando o centro político é fraco", os extremismos ganham peso.

"A história da Europa já nos disse isso muitas vezes e vai voltar a dizer-nos. Se nós, os partidos do centro, somos fracos, os de extrema direita e extrema esquerda serão mais fortes."