O pescador que sobreviveu mais de um ano perdido no mar, Jose Salvador Alvarenga, foi processado em mais de um milhão de dólares por, alegadamente, ter comido o companheiro de viagem, Ezequiel Córdoba, para sobreviver.

A acusação surge um mês depois da publicação do  livro que conta toda a história do náufrago. Segundo relatos do próprio, Jose Salvador Alvarenga conseguiu sobreviver 438 dias em alto mar, depois de ter partido de Tapachula, no México, em novembro de 2012.

O pescador, que tem agora 36 anos, partiu para dois dias de pesca com o jovem Ezequiel Córdoba, que tinha 22. Acabaram por naufragar por causa de uma tempestade, perdendo o motor do barco e o sistema de comunicação.

Contudo, contra todas as probabilidades, ambos sobreviveram durante meses, alimentando-se de peixes, pássaros que apanhavam e bebendo sangue de tartarugas, urina e água da chuva.
 

“Eu tinha tanta fome que cheguei a comer as minhas próprias unhas”, contou Jose Salvador Alvarenga ao The Guardian.


Mas Ezequiel acabou por morrer durante a travessia, pois recusava-se a comer e acabou por adoecer. Jose Salvador Alvarenga disse que os dois tinham feito um pacto: caso lhe acontecesse alguma coisa, Ezequiel queria que o companheiro explicasse à sua família o que tinha acontecido.

Quando o pescador foi encontrado, em fevereiro de 2014, assim fez. Procurou a família do rapaz e deu-lhe a notícia de que Ezequiel tinha falecido, garantindo que tinha atirado o corpo do jovem para o mar.

Na altura, segundo a TIME, os familiares de Ezequiel compreenderam a situação e não o culparam pela sua morte.

Mas agora pretendem processá-lo por alegadamente se ter alimentado do cadáver do jovem para poder sobreviver. A família pretende uma indemnização no valor de um milhão de dólares.

Jose Salvador Alvarenga negou a acusação e o seu advogado veio a público dizer que o processo foi implementado dias depois do livro sobre a história ter sido publicado, meramente porque a família acha que o pescador enriqueceu com o incidente.
 

“Eu acredito que este pedido faz parte da pressão da família por causa dos lucros dos direitos de autor. Muitos acreditam que o livro está a tornar o meu cliente rico, mas o que ele vai ganhar é muito menos do que as pessoas pensam”, disse o advogado.