José María Rodríguez é o homem de quem se fala e que está na mira das autoridades de Maiorca. Presidente, em Palma de Maiorca, do PP – o partido do chefe do governo espanhol, Mariano Rajoy, que venceu as mais recentes eleições – vê acumular-se contra si testemunhos e acusações como sendo o responsável do esquema que já levou à detenção de 15 polícias da cidade.

Nunca em toda a minha vida solicitei um serviço sexual” é um dos argumentos de Rodríguez, referido num comunicado citado pela imprensa espanhola, para se defender das acusações agora reveladas com o levantamento parcial do segredo de justiça de um processo que já leva três anos de investigação.

Ao longo deste tempo, tanto o juiz Manuel Penalva, quanto o inspetor anticorrupção Miguel Ángel Subirán passaram a andar armados, devido a ameaças de que foram alvo.

O processo com 24 mil páginas inclui escutas telefónicas de conversas entre os polícias, testemunhos de empresários alvo de extorsão, relatos de espancamentos a prostitutas e venda e fornecimento de droga apreendida.

Ao longo das investigações, 15 polícias já foram detidos. Seis deles encontram-se ainda atrás das grades.

Dono daquilo tudo

Dirigente histórico do PP em Palma de Maiorca, onde tentou conquistar a presidência da autarquia, José María Rodríguez é acusado de ser “o artífice na sombra” de um organigrama de corrupção.

Pretenderia criar uma nova estrutura policial na qual só seriam incorporadas “pessoas com afinidades ao PP”. Tudo para controlar e pressionar empresários locais que, segundo vários testemunhos, eram alvo de “inspeções e denúncias injustificadas”.

Alguns polícias manteriam atividades paralelas de segurança que as empresas se viam coagidas a contratar. Um exemplo é relatado no processo: uma casa de alterne foi alvo de 25 inspeções em doze dias, sem que uma outra na porta ao lado fosse sequer inspecionada, já que o dono contratara os serviços dos agentes.

Alterne “só para políticos”

Às cinco da tarde, havia uma sessão numa casa de alterne “só para políticos”, segundo relata a imprensa espanhola que acedeu ao processo.

Entre os relatos de vários dos que se afirmam vítimas de extorsão há relatos coação, ameaças e espancamentos e mesmo de um caso de uma menor que foi obrigada a prostituir-se.

Além dos favores que a rede ofereceria a gente bem colocada de Maiorca, dez mulheres ouvidas no processo garantem que os polícias visitavam frequentemente as casa de alterne, onde obtinham sexo, álcool e drogas em troca de avisarem os proprietários de futuras inspeções aos estabelecimentos.

Entregavam-se também envelopes com dinheiro a políticos, agentes locais e guardas-civis”, segundo o relato de uma testemunha ouvida no processo, que revela ainda o recrutamento de jovens para festas privadas em fazendas, frequentadas por autarcas de Maiorca, chefes de polícia e políticos”.