Os pais de 43 estudantes desaparecidos no México retomaram na terça-feira o diálogo com o Governo federal, reiterando a exigência para que seja aberta uma investigação ao papel do exército aos acontecimentos de 26 de setembro.

Numa reunião realizada na sede da Procuradoria Geral da República, as famílias dos jovens desaparecidos conversaram com o ministro do Interior mexicano, Miguel Ángel Osorio, com o procurador Jesús Murillo, e com o diretor da Agência de Investigação Criminal da procuradoria, Tomás Zerón, entre outros funcionários.

Em declarações à imprensa, o advogado das famílias, Vidulfo Rosales, classificou o encontro como «pobre» e referiu que os avanços na investigação ainda são «limitados», apesar dos 97 detidos no âmbito dos atos violentos de 26 de setembro em Iguala, no estado de Guerrero.

«Basicamente mantêm as minhas linhas: dizem-nos que as investigações que estão a fazer conduzem à lixeira de Cocula», afirmou.

Ex-presidente da Câmara de Iguala acusado do sequestro

O ex-presidente da Câmara de Iguala, cidade do sul do México,  foi acusado do sequestro dos 43 alunos, revelou um oficial de segurança máxima, esta terça-feira, à Reuters.

De acordo com o diretor de investigações criminais da Procuradoria-Geral da República, Tomas Zeron, que falou aos jornalistas após a reunião com os familiares dos alunos, o Ministério Público obteve um mandado de prisão para José Luís Abarca e outras 44 pessoas, acusadas de sequestrar os 43 alunos. O diretor não especificou quando o mandato foi obtido.

Estas são as primeiras acusações apresentadas contra Abarca que estão diretamente relacionadas com o desaparecimento dos alunos, embora as autoridades afirmem, desde outubro, que o ex-autarca e a mulher são os autores intelectuais dos sequestros.

Zeron falou aos jornalistas após uma reunião com os membros da família dos alunos ausentes.

Na noite de 26 de setembro, um grupo de polícias municipais disparou contra dezenas de alunos daquela escola, dedicada à formação de professores, por ordens do então autarca de Iguala, José Luis Abarca, do que resultou a morte de seis pessoas e ferimentos em outras 25.

Por outro lado, os polícias capturaram 43 jovens e entregaram-nos ao cartel de traficantes de droga designado Guerreros Unidos, cujos membros já garantiram que os assassinaram e queimaram numa lixeira, antes de lançar os restos mortais a uma linha de água, se bem que apenas um corpo tenha sido identificado até agora.

Naquela noite, membros do exército presenciaram o ataque sem intervirem, pelo que os pais exigem desde então que as autoridades investiguem a atuação dos militares.