O arcebispo emérito de Lubango, Zacarias Kamuenho, admitiu esta quarta-feira que a saída do Presidente José Eduardo dos Santos após três décadas à frente do destino de Angola pode criar «convulsões» no país.

Zacarias Kamuenho, que recebeu em 2001 o prémio Sakharov e esteve em Estrasburgo no âmbito das celebrações do 25.º aniversário deste galardão, disse à Lusa que a eternização de José Eduardo dos Santos no poder «revela que algo da democracia não vai como devia», mas destacou que o que segue é uma incógnita.

O presidente angolano admitiu que está há «demasiado» tempo no poder e revelou que a sua sucessão já está a ser discutida «internamente» no MPLA.

Numa entrevista à brasileira TVBand em finais de outubro, divulgada há uma semana pela agência de notícias angolana, José Eduardo dos Santos foi questionado sobre o tempo em que está no poder (desde 1979).

«Eu acho que é muito tempo, (...) até demasiado, mas também temos que ver as razões de natureza conjuntural que nos levaram a essa situação», afirmou.

«Se tivéssemos retomado o processo regular de realização de eleições em 1992, certamente hoje já não estaria aqui. Mas a conjuntura não permitiu», admitiu, assegurando no entanto que «daqui para a frente as coisas vão mudar».