A ONU apelou hoje à libertação de dois repórteres da Reuters condenados em Myanmar a sete anos de prisão por "atentado ao segredo de Estado" durante a investigação ao massacre de muçulmanos rohingya pelo exército daquele país.

Continuamos a pedir a sua libertação", disse à agência de notícias France-Presse o representante da ONU em Myanmar, Knut Ostby, pouco depois de ter sido conhecido o veredicto.

Um tribunal de Myanmar condenou hoje a sete anos de prisão os dois jornalistas da agência Reuters acusados de obterem ilegalmente documentos oficiais do Governo, na sequência de uma investigação que realizavam sobre “limpeza étnica” da minoria rohingya.

Wa Lone, de 31 anos, e Kyaw Soe Oo, de 27, foram detidos em dezembro por alegadamente terem obtido “documentos secretos importantes” de dois polícias.

Em julho, foram acusados oficialmente de violarem a "Lei de Segredos Oficias", que data da época colonial, crime pelo qual arriscavam uma pena de até 14 anos de prisão. Ambos declararam-se inocentes.

Na investigação que levaram a cabo, os dois jornalistas citam aldeões budistas que terão participado com soldados no massacre de Inn Dinn, a 2 de setembro de 2017, quando dez rohingya foram mortos.