O Qatar tinha convidado vários jornalistas europeus e do Médio Oriente a visitarem o país para conhecerem as condições dos trabalhadores, depois das críticas de várias organizações de defesa dos direitos humanos. Mas, de acordo com os responsáveis do país, a equipa da BBC, que incluía um jornalista, um repórter de imagem, um tradutor e um motorista, decidiu ir mais cedo do que o previsto e, por isso, foi detida pelas forças de segurança.

“Eles invadiram propriedade privada, o que é contra a lei no Qatar, tal como na maioria dos países. Foram chamadas as forças de segurança e a equipa da BBC foi detida.”

A equipa esteve dois dias na cadeia, como contou o jornalista Mark Lobel, num artigo publicado no site da BBC. A estação britânica condenou a detenção e já afirmou que está à espera de uma explicação cabal sobre o caso, bem como da entrega do equipamento confiscado.

“A sua presença no Qatar não era segredo e eles estavam empenhados em fazer uma boa peça jornalística.”

Mark Lobel revelou ainda que os oficiais de segurança mostraram-lhe fotografias dele e da equipa logo depois da sua chegada a Doha.

“Mostraram-me fotografias de mim e da equipa numa rua, num café, num autocarro e até numa piscina com amigos.”

O caso não é inédito. Este mês, uma equipa de reportagem de um canal alemão também foi detida e questionada pelas autoridades, que a impediram de abandonar o país durante cinco dias. O Qatar esclareceu que os alemães não tinham autorização para filmar.

O Qatar tem estado debaixo de fogo desde que venceu a corrida à organização do Mundial de 2010, por vários motivos.

Primeiro, devido à alegada corrupção que envolveu o processo, uma acusação que quer os responsáveis do país quer os da FIFA negaram. Depois, porque pela primeira vez o evento não vai poder ocorrer durante o verão europeu, mas em Novembro e Dezembro, devido ao calor intenso que se verifica no mês de julho no país, uma decisão polémica que muitos contestaram.

E por último, devido às denúncias de violações dos direitos humanos no que se refere às condições laborais dos trabalhadores. Denúncias que partem quer de organizações humanitárias, quer de órgãos de comunicação social.

Em setembro de 2013, por exemplo, o jornal britânico “The Guardian” noticiou que dezenas de nepaleses que trabalhavam no projeto morreram durante o verão por não terem acesso a comida e a água. O Qatar negou a investigação do jornal, mas a FIFA deixou um aviso: o país tem de proteger os trabalhadores.