Último episódio do caso da menina JonBenét Ramsey: num documentário da CBS, exibido há uma semana, o irmão da criança era apontado como o principal suspeito do assassínio. Consequência: Burke Ramsey, hoje com 29 anos, vai processar a cadeia televisiva.

Burke tinha então nove anos de idade. De então para cá, nas duas últimas décadas, todos os elementos da família foram considerados suspeitos em centenas de artigos publicados e documentários televisvos. No caso do irmão, o argumento era de que teria batido na cabeça de JonBenét com um objeto contundente. Poderia ter sido acidentalmente. A família teria depois encoberto o caso, escrevendo mesmo uma nota de resgate.

Até hoje, com o tempo a passar sem qualquer explicação conclusiva, continuam a aumentar as especulações. Nos tribunais, o processo já foi encerrado e reaberto há seis anos. Sem qualquer grande avanço. Trata-se de um mistério a fazer lembrar muitos outros, com crianças assassinadas ou desaparecidas, caso da menina britânica Maddie McCann que, em Maio de 2007, desapareceu na Praia da Luz, no Algarve, poucos dias antes de fazer quatro anos.

 

Uma pequena rainha da beleza

Tratada e educada como uma "barbie" é uma das mais frequentes acusações feita aos pais de JonBenét Ramsey, um casal da classe média-alta, residente em Boulder, no Estado do Colorado. Visada particularmente pela maneira de ser da menina, muito senhoril e pouco infantil, foi a sua mãe Patsy, coroada com Miss Virgínia Ocidental, em 1977.

A pequema JoniBénet cresceu assim, entre vestidos de festa, sapatos de verniz, jóias, maquilhagens e poses de atriz até aos seis anos de idade. Concursos de beleza infantil, tão ao gosto de uma certa América, não tinham segredos para si.

Entre os argumentos esgrimidos pelos jornais tablóides, alguns argumentaram sempre que esse mundo de fantasia teria estado por detrás da morte de JonBenét. Surgiram suspeitas de que o crime estaria ligado a redes de pornografia infantil, tal como surgiram falsas confissões de homens ao longo destes vinte anos. Mas veio a provar-se isso mesmo: eram falsas!

Morte na noite de Natal

Estávamos no Natal de 1996. Segundo o relato de então, a mãe da menina, Patsy Ramsey acordou e não encontrou a filha. Achou sim um bilhete manuscrito dando-lhe conta do desaparecimento e exigindo um resgate avultado.

Tenha atenção. Somos um grupo de indivíduos que representam uma pequena facção estrangeira... Neste momento, temos a sua filha em nossa posse. Ela está segura e ilesa e se quer que ela veja o ano de 1997, deve seguir as nossas instruções", dizia a carta, então reproduzida pela imprensa norte-americana.

A nota de resgate dava então as instruções ao pai da menina JonBénet Ramsey.

Qualquer desvio a estas instruções resultará na execução imediata de sua filha. E ser-lhe-ão até negados os seus restos mortais para que tenha um enterro apropriado. Se tentar alguma coisa, você tem 99% de chances de matar a sua filha. Siga as nossas instruções e você tem uma chance de 100% de voltar a vê-la", lia-se na carta.

Havia também uma quantia de dinheiro exigida: 118 mil dólares, hoje, uns 105 mil euros. A maquia era precisamente a que John Ramsey tinha recebido dias antes como bónus, na empresa que dirigia, a Access Graphics, uma subsidiária da gigante aerospacial e de aeronáutica, Lockheed Martin.

 

Encontrada morta na adega

Nesse mesmo dia, a mãe da menina telefonou para o 911, o "112" local. A polícia foi à casa dos Ramsey e vasculhou tudo. Nada encontrou.

Quase por descargo de consciência, já ao fim da tarde, disseram a John para ser ele a percorer a vivenda, na tentativa de ver algo que lhe parecesse anormal. Foi o que fez, com o amigo Fleet White. Foi à cave, à casa das ferramentas e, por fim, a uma dependência sem janela que lhe servia de adega. Foi aí...

No chão, já sem vida, encontrou a filha de seis anos. JonBenét tinha fita adesiva na boca, as mãos amarradas, uma fratura na cabeça e fora estrangulada. Estava embrulhada num cobertor branco.

O pai John retirou-lhe a fita adesiva da boca e pegou na criança. A polícia disse-lhe então para dar a triste notícia à sua mulher e mão de JonBenét. Deixou o corpo da menina junto à árvore de Natal.

Desde então, a família procura saber o que de facto aconteceu com JonBénet. A América também.