O Estado Islâmico divulgou um novo vídeo, esta quinta-feira, onde um fotojornalista britânico, John Cantlie, sequestrado na Síria há mais de dois anos, diz que foi abandonado pelo seu Governo. Mais, Cantlie afirma que quer mostrar a verdade sobre os acontecimentos que têm envolvido jihadistas e reféns ocidentais.

No vídeo, com pouco mais de três minutos, Cantlie apresenta-se e faz um apelo para que as pessoas atuem no sentido de obrigar o Governo norte-americano e o Governo britânico a mudarem as suas políticas relativamente à forma como lidam com os cidadãos sequestrados.

«É tempo de mudar a história dos acontecimentos, mas isto só será possível se vocês, o público, agir agora», assegura.

O fotojornalista acrescenta que o vídeo é apenas o primeiro de uma série de filmes que vai gravar para repor a verdade que, para Cantlie, não tem sido mostrada pelos órgãos de comunicação ocidentais.

«Vou mostrar-vos a verdade enquanto os órgãos de comunicação ocidentais tentam arrastar o público para o abismo que é criar uma guerra com o estado islâmico», afirma.

Cantlie admite que a mensagem é uma tentativa de sobreviver, uma vez que o seu destino «está nas mãos do Estado Islâmico».

«Sei o que estão a pensar: ele só está a fazer isto porque está preso; ele tem uma arma apontada à cabeça e está a ser obrigado a dizer isto. Sim é verdade, sou um prisioneiro. Mas uma vez que fui abandonado pelo meu governo e o meu destino está nas mãos do Estado Islâmico, não tenho nada a perder. Talvez consiga sobreviver ou talvez morra», afirma o refém.

Com 43 anos, o britânico, de Hazlemere, sul de Londres, refere ainda que trabalhava para alguns dos mais importantes jornais de Inglaterra, como o «The Sun» ou o «Sunday Times».

Esta é a segunda vez que o fotojornalista é mantido como refém. Da primeira vez, esteve apenas sete dias raptado por rebeldes sírios, em 2012. Mas poucos meses depois de ter sido libertado, regressou à Síria onde foi sequestrado e vendido aos jihadistas.

Pensa-se que Cantlie terá sido raptado quando tencionava abandonar o país, juntamente com o fotojornalista norte-americano James Foley, que foi decapitado pelos islamitas. Segundo o «The Guardian», os dois terão parado num café com Internet, numa cidade perto da fronteira com a Turquia, e terão sido raptados quando saíam do estabelecimento.