O eurodeputado comunista João Ferreira e o economista e historiador João Ferreira do Amaral, assumidamente adepto da social-democracia e com simpatia pelo PS, sem ser militante, defenderam uma «saída negociada» de Portugal da zona euro.

Num debate organizado pelo PCP, num hotel lisboeta, João Ferreira propôs «uma conferência intergovernamental, com vista à revogação do Tratado Orçamental, a par da reversibilidade dos outros tratados da União Europeia, ajustando o estatuto de cada país à vontade do seu povo»

«Esta proposta deve integrar uma iniciativa diplomática mais ampla do Governo português que, concertando esforços com países em dificuldades semelhantes, vise a dissolução da União Económica e Monetária, a revogação da legislação relativa à União Bancária, a revisão do papel do Banco Central Europeu, a extinção do Pacto de Estabilidade e a criação de um programa de apoio aos países cuja permanência no euro se tenha revelado insustentável», como Portugal, defendeu.

João Ferreira lembrou ainda os objetivos de renegociar a dívida - nos juros, prazos e montante - e de recuperar o controlo público da banca comercial e outras instituições financeiras, entre outras empresas e setores estratégicos.

«Há quem sugira uma leitura inteligente do Tratado Orçamental, mas é um documento eminentemente estúpido, portanto não permite uma leitura inteligente, pelo menos do ponto de vista da soberania e da autonomia política nacionais», atestou João Ferreira do Amaral, referindo-se a declarações recentes do secretário-geral socialista, António Costa.

O docente universitário apresentou ainda o «exemplo hipotético, por absurdo» de, caso a Comissão Europeia considere que é melhor para a produtividade dos portugueses aprender Inglês em vez de Português, perante os tratados assinados, Portugal teria de acatar tal decisão e abandonar o ensino da sua Língua nas escolas.

«A saída em rutura teria enormes custos, mas concordo com a saída negociada proposta por João Ferreira e a ideia de uma conferência intergovernamental", afirmou Ferreira do Amaral, expressando a sua "honra" pela participação num evento organizado pelos comunistas, que felicitou pelo conjunto de iniciativas na Assembleia da República e no Parlamento Europeu, «apesar de ter outras opções ideológicas», cita a Lusa.

Curiosamente, o secretário-geral comunista, Jerónimo de Sousa, vai estar terça e quarta-feira em Bruxelas, tendo previsto um jantar-convívio com emigrantes lusos, além de reuniões com a presidência e deputados do grupo parlamentar Grupo Confederal da Esquerda Unitária Europeia/Esquerda Verde Nórdica (GUE/NGL).

O antigo reitor da Universidade de Lisboa, José Barata Moura, o militar de Abril Pezarat Correia e o especialista em direito administrativo e ex-membro do Tribunal Constitucional, Guilherme da Fonseca, foram outros oradores do encontro, em Lisboa.