A campanha pela permanência do Reino Unido na União Europeia voltou, nesta segunda-feira, às ruas, depois de uma pausa forçada pelo assassinato da deputada Trabalhista Jo Cox.

Voltou em força, articulada nas suas várias frentes e a apostar tudo no medo. No medo das consequências de uma saída para uma das mais fortes economias do mundo, como a certeza da obrigatoriedade de adesão ao euro ou ao espaço Schengen caso as coisas corram mal e os britânicos tenham de recuar na decisão.

Neste momento, a maior parte das sondagens dão um empate ou valores muito próximos entre os apoiantes da permanência e da saída, mas desconhece-se, ainda, o impacto que a brutalidade de um crime associado ao Brexit terá nos votantes na hora de decidir.

Até domingo, as sondagens existentes, realizadas antes do homicídio de Jo Cox, davam conta de uma ligeira vantagem da permanência: 45-42 para o Mail, 44-43 para o Sunday Times, 44-44 para o Observer/The Guardian e para o Finantial Times.

Com a mira na quinta-feira (dia 23), data em que se realiza o referendo, o primeiro-ministro David Cameron e o ministro das Finanças George Osborne desdobraram-se em entrevistas no fim de semana, retomando a estratégia da queda da economia britânica com o afastamento da zona euro.

Hoje foi a vez do ministro dos Negócios Estrangeiros, Philip Hammond, que, tal como Cameron e Osborne, usou a palavra “irreversível” para alertar os britânicos para as consequências de uma vitória da “saída” no referendo.

A mensagem que estamos a tentar passar aos britânicos é a de que esta é uma decisão irreversível. Se decidirem pela saída não será possível voltar atrás”, afirmou Hammond, à chegada ao Luxemburgo para a reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros da EU.

Também Hammond quis, com estas afirmações, alertar os votantes para o facto de que não haverá novas negociações com Bruxelas ou novos acordos em caso de vitória da “saída” no referendo de quinta-feira.

A Grã-Bretanha nunca poderia voltar a entrar na EU, exceto em condições que seriam inaceitáveis para os britânicos, como adesão à moeda única, adesão ao espaço Schengen e por aí fora”, alertou.

No domingo, em entrevista à ITV, concorrente da BBC, o ministro das Finanças insistiu que o impacto da saída pode ser ainda pior do que o estimado pelo Tesouro para a permanência e que aponta para um recuo de 6% na economia.

Pode ser muito pior do que isso [se optarmos pela saída]. As pessoas não estão a comprar casas e carros, é um sinal do que está para vir”, disse George Osborne.

Já o primeiro-ministro lamentou que os defensores da saída estejam a ignorar os avisos dos “especialistas”, fazendo mesmo uma analogia com os alertas de mecânicos para carros com problemas.

Arriscaria entrar com a sua família num carro com defeito de fabrico?”, questionou David Cameron no Sunday Times.